Incontável Eternidade


Os das costumam ser bem longos para aquele que perdeu qualquer tipo de vontade de viver. Os dias não são os mesmo do de uma pessoa normal com a consciência ainda lívida. As Quartas se tornam Quintas e a noite se torna o dia. O mal odor do fracasso exala de todas suas palavras, saber que mais um dia se passou, saber que mais uma hora se foi, o medo se torna cada vez mais claro, não o medo comum, o medo do escuro e dos monstros, mas o medo de mais um dia se passar, pois os monstros, antes impenetráveis aos braços aconchegantes dos amores que um dia teve, hoje já são apenas parte de uma consciência de realidade. O nome daquela que tira vidas passa sempre a sua mente, passa tirando toda a impressão de realidade e todas suas defesas estão no lixo agora.
Você se pega a pensar nas horas que passaram e você nem estava presente, o ano se foi e não me saciei de um sonho se quer que me abraçaria e me tornaria homem. Mas meu único desejo é ela que anda cautelosa e ativa, sopra seu bom cheiro de chocolate ao vento junto com seus tons azulados. Devorando cada segundo de minha vida, destruindo cada dia que se passa. Ela é meu único desejo mórbido, a única vontade que existe em não ter vontade. A única vontade que se tem quando deixa-se de ter vontades é a simples vontade de morrer. Seu nome me vem a cabeça e junto dele toda lembrança que eu tive de uma vida feliz que nunca conheci. Sinto-me com a cabeça perdida e os dias nunca contados. Vivo apenas para que o dia acabe e isso faz com que lhe venha na mente possibilidades, mas eu tenho medo de mudar, tenho medo de segui-la até onde não deveria e lá permanecer com o corpo gélido.
A única saída possível para um homem de valores onde todos os valores não mais existem, a discordância é apenas o ar respirável da mente que nunca mais há de olhar em olhos fundos com sorrisos tortos e belos, a realidade de não ter mais a pele macia, o cabelo alisado e a pele amarelada de uns dias sem sol é apenas um motivo para não mais querer estar aqui e persegui-la mais uma vez, ter novamente os dias passando de maneira correta, mas vejo que enquanto não tiver morto, meu corpo se apodrecerá e meus ossos ão de partir em incontáveis números. A eternidade costuma ser muito dolorosa, a inexistência de um tempo que te prende a essa dolorosa contribuição do destino. A eternidade se resume apenas nesse estado de que nunca sairei, esse estado sem que ela venha até minha presença e me leve embora, seu toque gélido como a lamina de uma foice ão de me levar embora, ão de fazer os dias passarem antes que eu apodreça neste hoje que me atormenta, somente ela tirará minha eternidade, somente ela tomara de mim o desprazer de vida eterna e trará as cores de volta, o vermelho que nunca mais vi e o azul que irão ser contados e para sempre apenas o de sua alma que alivia as dores de um homem esquecido no deserto incolor sem dias para contar.

... embora daqui.


Eu menti tantas vezes, menti todas vezes na verdade. Escondendo eu mesmo do toque assombroso da minha salvação. Os momentos que eu poderia ter dito a verdade, eu preferi colocar a mão no revolver. Eu preferi pular do penhasco. A rede que esconde as verdades sobre mim foram todas abertas... meu olhos embaçados, minha respiração ofegante... é difícil entender o porque eu preferi te ver tão longe, quando na verdade eu queria que a verdade fosse dita, que minha alma abandonasse essa escuridão que de nada me adianta viver com. Meus escrúpulos, a leitura diária dos livros que me levam para o estado imaterial da solidão depressiva. Verdade que só tenho eles, verdade que só tenho o sentimento de vazio, verdade também que a chuva lá fora não se compara com as gotas dentro de mim que, sem pestanejar, derramam e imundam meu corpo de tal maneira que o próprio sangue escorre pelas cicatrizes no peito para dar lugar ao sabor salgado de lágrimas indelicadas.
Chorar virou algo tão rotineiro que quando percebem que uma lágrima rola meu rosto depois de me afogar as tais lembranças eu se quer as enxugo. O corte fundo me deixou perplexo... já não te escondo como escondia antigamente... já não uso meias palavras para fingir que não é de você que falo. Oh! Querida Morte, como você me faz falta dentre qualquer outra flor que apodrece dentro do jardim desse meu mundo. Quantas desgraças já não aconteceram? Quantas flores estragadas estão aqui nesse meu jardim de miséria! E eu só olho para aquela que você plantou, desejando que volte e me leve embora, desejando que faça seu trabalho completo desta vez.
Eu menti muitas vezes para esconder esse sentimento, mas agora me arrependo e não ligo de ter minha cabeça decepada por suas belas mãos, todos e qualquer outro braço parece frio e congelante comparado ao calor dos seus frios braços que eu costumava esquentar nos ventos do Outono, que já eram frios, próximos do Inverno escaldante que nunca chegou. Sua ausência friorenta apenas causou o maior congelamento de meu corpo, o congelamento da minha arrogância, o congelamento de tudo aquilo que eu fui... Transformando tudo em gelada depressão... Espero que o sangue não me jorre tanto... não quero desmaiar... ainda quero te ver antes que me leve embora daqui.

Vaidade


A vaidade me fugiu ao tato. A barba mal feita, o cabelo bagunçado, os ombros caídos, as costas curvas, as roupas fora de moda, o coração despedaçado. O espelho virou um incrível bicho de sete cabeças, uma hidra que não importa o que eu faça volta duas vezes pior. Assim como tudo que me vem em mente, o fundo do poço, com o baque duro quando eu chego, é cruel com meu corpo e com minha mente, eu não vejo muito além de imagens distorcidas do passado tão distante de alguns anos atrás. Assim como qualquer coisa que eu faça para sair dessa tamanha foça... ela volta duas vezes pior para mim e meu sofrimento apenas aumenta. Meu sofrimento é apenas uma bolha de sabão soprada por aqueles lábios delicados e pouco carnudos, a melhora breve é rápida e eu quase não percebo. A vaidade também me fugiu aos olhos, bonito, feio... o que são se não mais um monte de baboseira especuladas por um padrão social que não me levara simplesmente nada. A beleza se tornou aquilas coisas que me atraem por poucos segundos, as coisas que me fazem ser menos infeliz. Como quando acordo sem lembrar do meus sonho, que são manhãs raras.
Acordar sem lembrar do que sonhei é a única coisa que torço para o dia. A única coisa que eu contemplo e adoro como os antigos adoravam seus deuses e deusas. Dizem que toda beleza que se pode imaginar se aparece em sonhos. Pois eu as vejo todas noites, e quando acordo sem lembrar daqueles sonhos por alguns segundos eu me sinto imóvel, sem vida e sem sentimentos, é adorável e belo... por alguns segundos, então a dor volta com as imagens distorcidas do que realmente é belo. Do que realmente eu pude chamar de belo.
Metamorfose fraca que se passa na minha cabeça, olho no espelho e vejo uma pessoa estranha, mas logo reconheço, a figura não tem mais a aparência jovial e bem cuidada do inicio do sofrimento, quando eu ainda esperava ouvir "Ah! Te procurei, mas não te achei.", mas o sofrimento ainda é o mesmo, as marcas cicatrizadas e o olhar penoso ainda são os mesmos, só assim reconheço que aquele que compreendo os olhos, pois sofro do mesmo mal, é apenas eu.
Oh! Vaidade que me dói quando vejo nos mais próximos, tão pomposos e cheios de si. Confiança e auto-estima que deixei de ter a tempos. Vaidade maldita que me pedem para ter. Meu corpo esquelético, invejado por anorexias e bulímicas é mantido por um constante estado de sofrimento, marcado a ferro por memórias, que me esfaqueiam pelas costas nos momentos mais distraídos de meus devaneios. Não sou mais um homem. Sou apenas uma alma sem corpo que vaga sem matéria física.

Pequeno fim.


Os dias parecem perfeitos até eu me lembrar dela. As noites parecem tranquilas até que minha consciência dói, por causa da beleza inconfundível que conheci em seus traços. A facilidade de como toda alegria desaparece, percebendo só então que tudo não passou de mera ilusão. As tentativas de abrir um buraco no meu peito para representar o que sinto, ou talvez o que não sinto, já que tudo não passa de vazio e um profundo buraco.
A contagem simples de todas vezes que esse pensamento de morte veio à minha cabeça, estão afetando a matemática da minha existência, agora, depois de você, tendo apenas a deixar de existir. Faz frio aqui onde estou, faz frio aqui sem você, me perdoe por não estar presente no seu viver, isto de fato também me atormenta, saber que possivelmente não sofro sozinho, mas faz tanto tempo, faz tantos anos.
Apenas diga o que silenciamos, apenas construa de volta toda nossa mesclagem perdida quando deixamos de trocar olhares, até hoje eu não esqueço seu abraço. Até hoje não te esqueço e escrevo minhas cartas para que um dia, cujo nunca virá, você possa finalmente entender que o motivo da minha dor e não te ter.

Especial


A uns dias atrás eu me senti especial. Senti um fervor no peito e um vazio no estomago. Era o dia que eu ganhava finalmente um motivo para sorrir. As cores pendiam para uma radiante alegoria desconhecida e os objetos, que eram inanimados até então, começavam o bailar esquizofrênico, desconhecido por todos, exceto por mim. Pensamentos perdidos passavam pela minha mente frágil, eu me sentia tonto e confuso, eu era especial de estar ali, eu era a pessoa mais importante do mundo. Os segundos seguidos após aquele breve minuto que eu pensei ser feliz, aqueles segundos mostraram tudo que eu realmente era.
Todo aquele sentimento especial, toda aquela alegria e euforia momentânea foi na verdade eu morrendo, nunca pude imaginar que eu ficaria feliz com o simples fato de estar morrendo. Escondido atrás daqueles sorrisos que nunca foram meus. Até eu me enganei, até eu achei que era feliz. Dissimulei para mim mesmo, menti tão bem que até eu acreditei que poderia ser feliz. Menti tão bem para satisfazer seus desejos. Toda aquela felicidade se desvairando junto com as gotas salgadas que percorrem minha alma. O vazio infinito percorre com fervor todas as mentiras que contei sobre meu estado. Sinto-me silenciado por uma força maior que agora me impede de mentir, uma dor colossal que aflige meu peito internamente como uma faca que percorre de dentro para fora todos os momentos da minha história. Eu lembro de quando ela ainda me abraçava e eu me sentia vivo depois de ter morrido tantas vezes. Eu ainda lembro quando ela reclamava dos meus feitos e me mostrava as melhores opções. O sangue, o suor, as lágrimas... nunca vão compensar a saudades daqueles momentos elegantes. Nunca vão compensar as pequenas coisas que passei.
Sua ausência... as lembranças sobre você... os dias... as noites... os momentos, as musicas e as piadas... os sorrisos, as feições tristonhas... suas mudanças de visual e de humor... seu colo... seu ombro... seu cabelo, o cheiro de chocolate... seus olhos vazios... sua facilidade para sorrir... suas definições. Suas roupas e aquele casaco apertado. O bolo de aniversário que eu nunca comi. Os bolos de aniversário que nunca mais tive. O cafuné que nunca mais vou ter e o desafio de te convencer e conquistar todo dia... definições e mais definições. Lembranças e mais lembranças. Você não está mais aqui para jogar o cabelo no meu rosto. Você não está aqui para descobrir meu ponto fraco e errar pra eu fingir que você acertou de novo. A gente não vai mais deitar... eu não vou mais deitar com a cabeça sobre você pra esperar a chuva cair. A gente não vai mais se molhar enquanto reclamamos das pessoas ao redor. Eu não vou mais passar enfrente a porta pra te ver e quando você me enxergar, sorrir e desviar o olhar. Não vou mais ter que fingir gostar das conversas irritantes das suas amigas. Colocar a mão nos seus bolsos... ato que repito até hoje nos braços que te procuro. Suas mãos sempre quentes... gelando sobre o toque da minha. Seus lábios semi-cerrados...
Eu fui especial, eu senti a felicidade. Mas hoje posso apenas mentir e fingir muito bem o que um dia já senti. Não vou chorar. Não vou sorrir...
Porque você me ensinou como é sorrir de verdade.

Traído


Com os pesos que se encontram entre meus entes queridos, que não chegavam a ser mais do que um pequeno grupo, e a minha pessoa observei a todos que trazem presentes vangloriando cada um de nossos passos simples e modernos. As belas palavras que jorram de suas presas como serpentes babando veneno. Textos longos, amores encubados e ceifadores vestidos de belos bebes que consomem cada gota de minha vida e necrosam meus músculos que já nem sangram mais com tantas mentiras e desordens. Sei que não sou o poeta que todos esperavam que eu fosse, mas é coloco meu coração a frente de qualquer coisa para falar dela, não há outro modo de descrevê-la se não com meu coração. Vendo minha alma esgotada para o par de gotas salgadas que rasgam o céu de seu rosto, suas lágrimas nunca foram reconhecidas por mais ninguém, seus olhos nunca brilharam mais para ninguém, porque você colocou seu coração a frente de tudo para ela, seus textos que levaram uma vida para serem escritos, levaram toda a sua vida em bora, e foram despedaçadas em apenas uma frase que lhe cortou a garganta e amarrou seu coração com o estomago. Essa sensação que faz seu intestino mais fundo querer sair pelas narinas e o seu corpo inteiro passar pela garganta para deixar o coração em suas mãos, deixar seu coração em pedaços na sua mão. Esse sentimento é o de traição que eu preferia nunca ter sentido, sem ter nenhuma relação, sem ter nenhum sentimento para evitar dores parecidas, mas eu me entreguei e confiei, eu me vendi e me doei totalmente para sua causa e apenas recebi pequenas palavras que paralisaram meu sangue e todos a minha volta. Pela revolta que me trouxe a te vangloriar e a te respeitar, pela gloria que todos os que padeceram perto de mim disseram eu ser. Mentiras que desceram amargamente.
Sem poder me consolar, sem poder me agarrar a uma frase se quer de consolo, pois o que me atormenta é apenas o fato de todos mentirem, de todos terem me traído e me tirado o que eu mas desejei e pedi: Consolo.

Não bastasse a vida que levo. Não bastasse o sufoco que passo em respirar. Tenho também que lhe dar com meus amigos que nunca foram amigos. Com amigos que exigem que eu volte a ser aquilo que nunca deixei de ser, mas não enxergam seus desastres metamórficos enquanto sugam minha alma ingênua. Queria ao menos poder contar com algum de vocês, homens que fingem me cercar, mas eu não posso olhar para vocês sem me enojar de um dia ter achado que era um de vocês. Nunca fui, as pessoas nunca permitiram que eu fosse uma pessoa. Me alimentam com mentiras e ilusões, desgostos e traições. Me alimentam com o podre que lhes sobra das suas brigas mesquinhas com a vida. Enquanto eu preciso me manter o mesmo sem nunca cair ao seu lado para nunca demonstrar maus tratos, mas ainda assim diz que lhe magoo. Ainda assim diz que lhe feri sem sangrar. Eu chorei enquanto vocês se apressavam para mais uma vez vacilar minha dignidade e me humilhar. O que vai acontecer depois disso não posso dizer, pois só pararei quando o sangue parar de sangrar.

O dia que falhei.


A leveza da plumagem suave que os meus braços cobrem em um terno abraço amoroso são frutos da imaginação doentia causada pela solidão que devora cada gota de meu sangue de tal forma que nem mesmo o fogo ardente das histórias maravilhosas que ouço conseguem de fato esquentar. Com um ar gélido soprando da janela que estava aberta, meu quarto parecia, não o inferno, mas a própria ausência de vida, luz e calor. Minhas mãos frias que tremem eternamente pelo sofrimento que foi causado ao meu coração que, apesar de impuro, sempre a tratou com tanto carinho e paixão, eu vi todas as suas cores naquele momento em que deitado a minha cama, uma lágrima escorria pela densa camada de carne fundida com o tecido do meu travesseiro manchado de sangue. Sangue que nunca saiu de minha pele, mas jorrou entre meus sentimentos. Sangue que nunca foi visto por mais ninguém além de mim. Sozinho no meio de tantos, eu peço ao menos mais uma vez que meu coração se torne leve, peço que pelo menos uma vez, um único segundo, todo peso que transportei para a minha situação atual se dissipe e me deixe mais uma vez voar como voava quando jovem. A ardência na minha garganta desce até meus rins. Dói um pouco e o gosto é ruim, mas eu sei que quando acabar eu não sentirei mais nada. Como um toque de recolher que soa ao longe, eu ouço sua voz vinda do além destruir minha mente tão pequena. Eu vejo todos seus desejos e todos seus defeitos passarem entre meus olhos. Minha maior raiva é ver aquele rosto que era tão próximo ao seu quando eu me deleitava em seu colo. Lembrei que os seus lábios finos nunca encontraram os meus e sim o daquela figura complexa que nunca entendeu o quanto eu te amei.
Eu sei que meu coração está fraco, sei que é preciso de mais um pouco para que ele pare, então farei isso como deve ser feito, sem dignidade e sem honra. Cuspindo aquilo que comi toda minha vida, vomitando todos sentimentos que tenho por você na cara dos que me rodeiam, sei que nenhum deles entende porque faço isso e muito até acham que não o planejei. Mas a minha morte foi muda, sem vexames, sem vergonha... apenas deitado junto da areia que me abraçava com o vento gelado que vinha do mar. Deitado naquela cama de areia e deitado na cama do meu quarto. Tão diferentes, porém tão iguais. Sentindo o abraço do vento frio, sentindo o abraço da escuridão que aos poucos escurecia minha visão perturbada pelo álcool.

Escuridão suprema.

O momento em que eu deixei de existir. Não foi como um sono profundo, não vi luzes, não vi nada. Apenas deixei de existir e não queria mais voltar, o vazio tomando conta de todo o meu corpo, o silencio tomou conta de tudo. Minhas preocupações sumiram, meus pensamentos ruins não eram mais ruins, meu corpo pútrido não sentia mais dores, o doce e esplendido puro morrer. Então... aquele mar veio até minha existência, o frio eminente voltou ao meu corpo e eu chorei, chorei para poder continuar no estado que eu deveria permanecer, o estado que é meu por direito, o estado em que ninguém poderia me tirar. E ali, no mu leito, ninguém esta comigo. A obrigação de poucos mantinha alguns pares de olhos em mim. Que deitado na minha cama sentia toda aquela dor voltar. Olhos lacrimejando por eu ter voltado, olhos lacrimejando de felicidade por terem conseguido destruir mais de mim. Olhos que choravam agora de alegria, cantando e pulando por eu ter que sofrer mais. Meus olhos miúdos e chocados mal se mantinham firmes com todas aquelas agulhas em meu braço, sei que fizeram de tudo para eu sentir mais dor e plenitude. Sei que ninguém entenderá a minha dor, pois eu não sou como um homem. Não sou como uma mulher. Eu não sou nada. Nada além de nada. Coração dolorido e abandonado. Mas a primeira coisa que pensei foi em você... você que não me quer mais, você que me matou, você que nunca mais vai voltar. Hoje não importa, aquele dia não importa. Eu já morri quando tiraram você de meus olhos.

Antes de Criticar Leia


Os julgamentos críticos são baseados em meras especulações verbais contra seres que não cometem erros. Enquanto as pessoas fecham seus olhos para apontar o dedo para os seres de coração. Ouvindo sua voz e observando suas atitudes, mas esquecendo de ver os olhos tristonhos que por de trás de tanta violência bruta chora um canto mudo. Ordinário método social de se envolver com alguém que já sofreu tanto. A facilidade de quebrar aquilo que está rachado é o dom dos que se acham mais poderosos no meio das crianças, quebram minhas pernas, distorcem minha musica e pisam em meu coração que nunca foi bem cuidado na mão das pessoas. Quando me recuso ao chamado de socorro, quando choro sozinho o meu peito cortado ou quando me encubro de palavras afiadas e roupas negras sou ameaçada com a dadiva da amizade. Amizade essa que não acorda em meu peito, apenas fingindo a emoção de ver as pessoas sorrindo, fingimento que é preciso fingir até sangrar para que alguém pare e não dê a mínima. Crescendo ao som das afiadas facas criticas que penetram em meus pulmões.
Minha dor imita a linha vermelha que surge aos poucos no meu peito e logo vai abrindo espaço para um mar vermelho que decai como uma cachoeira. Meu estado perante suas atitudes são vulneráveis... porem retardadas. Como a gilete que enfio no meu órgão respiratório, o ar me falta aos poucos enquanto ouço bolhinhas estourarem dentro de mim, como se meu sangue fervesse ao ódio que já foi tão remoído e cultivado. As palavras soam doce ao rei da sociedade que destrói minha musica principal sem piedade ou remoço. Meu peito arde pare que minhas palavras não ardam tua cabeça.

O instinto é falho quando lhe contam mentiras e você consome toda minha alma. Toda noite desejo te ver, toda noite chego mais perto de reencontrar minha cabeça decapitada. Espero que lá onde me leve as cicatrizes sumam... Pois meu corpo nu é horrendo como o inferno que causaram a mim para que eu tirasse meu próprio sangue com meus próprios esforços. A culpa não aflige a nenhum dos carrascos que me tornaram o que sou, porque eles são os reis da sociedade. Privados de sentimentos nobres, com fome de luxuria e de conquistas graduais. Meu mundo inteiro foi consumido por essas pessoas. Meu mundo inteiro foi acabado e ruinado por pessoas como essas. Nem meu corpo necrosado consegue esconder a feiura que trago na memória de vocês se traindo. A falsidade, a incoerência, a indisciplina e a maldita ordem de sistema social. Meu erros são baseados em suas atitudes, meus erros são baseados em seus acertos para me estragar. Não sou uma revolta, eu sou a sua maior criação. Sou todas musicas distorcidas, sou todas pernas quebradas, sou todas mentiras contadas. Esse corpo necrosado é o que você é por dentro se refletindo em todas pessoas que magoa. É todo ódio que pessoas como eu sentem por causa de pessoas como você. Não lhe levarei para o inferno comigo, não lhe darei esse sabor. Vocês viverão como heróis, morrerão como heróis, mas nunca sentiram o sabor de ser alguém de verdade. Nunca sentiram o sabor de cuidar de uma criança. Esse tipo de pessoa é o tipo de pessoa que aborta. É o tipo que luta contra o aborto, mas ao primeiro defeito abortarão os pobres inocentes. Esse corpo necrosado é o filho de pessoas como essas.

População de ninguém


Eu procurava sentir o máximo de coisas que eu pudesse, pois queria ser como todas as pessoas, queria ser tão vivo quanto elas, era o que mais queria, ser humano. Mas quando me tornei um vi que não era o que eu queria, a dor que sinto por estar no meio das pessoas é pior do que quando estou sozinho no meu quarto pensando na vida como ela foi feita para ser. Me pergunto muitas vezes porque me perdi de tudo, menos do que mais me dói. Vejo as pessoas passando por mim, vejo as pessoas se aproximando e se aconchegando, vejo elas sorrindo e seus olhos brilhando, mas não é como deveria ser, não estou sorrindo ou me aproximando... estou inerte com uma terrível feição tristonha. Meu coração se vai com minha alma cada dia que se passa tão distante daquela que mais desejo. Não a distancia que separa minhas mãos das dela, mas da distancia que separa seus pensamentos de mim e me aproxima cada vez mais os meus dela.
Sem mesmo um pingo de vontade de viver. Sem mesmo uma fatia de vida para se viver. Minha alma vai se dissolvendo em tristeza, tantos rostos ao meu redor e nenhum é ela. Nenhum deles é o que eu quero ver.

Faixas e cartazes pendurados no meu rostro, demonstrando toda infelicidade que passei por esses anos, pedindo para que apareça e me leve para esse mundo, mesmo que em chamas. Faixas e cartazes que penduram a forca na qual me prendi e me joguei. De repente o dia vira noite quando a vejo em meu pensamento, meu desejo de apagar com seu toque escurece todo o mundo, escurece toda a vida. Lembro quando te via muitas vezes, lembro quando te admirava por tanto trabalho, lembro quando nos prometemos ser leais. Ainda posso ouvir seu choro cantarolar por aí no vazio das lembranças. E cada vez que sua voz reproduz algum som, minha alma diminui e o vácuo no peito aumenta. Meu pessimismo tem certeza que você não irá voltar e é por isso que procuro aqueles olhos brilhantes e aqueles sorrisos contagiantes, mas nunca estive tão sozinho, nunca vi tantos rostos, que estão tão vazios aos meus olhos. O tempo vai passar, eu sei que passará, mas a cura da saudades não é o tempo, a cura para a saudades não é fingir que não lembro. Pois de você eu lembro, de verdade eu lembro, de verdade eu sei como foi. Não me adianta esperar, mas mesmo assim espero. Não me adianta procurar, mas mesmo assim eu procuro. Atingir minha cabeça com o tiro nunca foi meu objetivo, sempre quis ameaçar suas imagens para que saiam. E cada vez vejo mais que morrerei com você no meu coração, ocupando todo aquele espaço que estava reservado para minha vida, vejo que os órgãos não serão o bastante e os músculos nunca serão forte o bastante. Uma historia dramática escondida das pessoas que me rodeiam hoje, a miséria do sorriso que todos contemplam.

Silenciado por si mesmo


O silêncio nunca foi opcional. Não escolhi me emudecer diante dos fatos da vida. Mas no mundo de hoje, aqueles que se calam, são os sofridos incompetentes. A discriminação é baseada simplesmente por ser uma pessoa fechada, esquecendo que o silêncio é o sintoma da minha vida sofrida, o silêncio são todos os tiros dados à meus olhos, todos os cortes de espadas desafiadas. A crítica nada mais é mais um motivo para me calar e esperar que você faça o mesmo, pois as dores trazidas das passagens de uma vida curta não é exatamente o que procuramos achar, conduzindo a lâmina afiada de nosso ego em nossas mãos. É preciso sentir na pele o que se pode ver nas cicatrizes de meus punhos, é preciso ter o mesmo punhal perfurando meu rosto que um dia foi belo, é preciso disso, e apenas disto, para que você se cale junto a mim quando eu me calar. Não sou um radicalista, nem um homem sábio, muito menos um poeta, pois já provei isso escrevendo sobre a minha dor silenciosa, eu apenas quero entender e fazer minhas questões sem precisar falar, pois não posso dizer uma unica palavra já que todas essas foram arrancadas de mim com a brutalidade do destino e das pessoas que sempre me rodearam. Sem rumo ou se quer sem um sentido eu sou criticado, justamente, pois tenho noção de que já não faço mais tanta parte desse mundo. Meu suicídio hoje foi direto, diferente da minha voz, que parece não querer sair pela minha própria boca.
Emudecer a um todo com meu silêncio é cruel de mais, mas o meu suicídio não me permiti pensar nas pessoas. Eu queria poder enxergar mais uma vez, queria poder ver o Sol nascer e comentar mais uma vez o quanto isso é belo, porem, a beleza não chega até a mim. A beleza se foi com o mundo que me foi dado, que se apagou e se escureceu.

Não sou capaz de chorar, também, pelas pessoas que se foram com o mundo que se desligou, não as conheci, era novo de mais, porque quando se sofre, percebe-se que sempre se é novo de mais no dia anterior. Não há nada a se perder quando o seu corpo e alma foi jogado às margens da sociedade. Não há mais nada a se fazer para revigorar sua dor sem sentido. O silêncio é a única coisa que se tem no momento, e a vontade de desabafar, ela existe, mas nunca se realizara. Pois é mais forte que você, tudo é mais forte que a dor que se sente, até mesmo a vontade de morrer é mais fraca do que a dor, os motivos para se cortar somem. Os cortes viram apenas metas e lembranças, as marcas perdem a explicação. O silêncio vira aquilo que te define, o vazio vira aquilo que você se torna... E amanhã... eu sei que nada melhorará.

Abandono Necessário


Perpetuo com a indignação de que me vi frente a frente com os de sangue daquela que um dia banhei de amores e fui banhado de amores. Percebi que facilmente as coisas se vão, como também facilmente chegam, nas noites mais frias um beijo doce e suave pode acontecer no meio da escura solidão macabra que rodeia pessoas que já não têm mais nada, tornando aquela massa fria em puro calor nostalgico e agoniante. Sabendo que na próxima manhã ensolarada o adeus gelido e sombrio sem motivos ou razões irão de acontecer. Me vi com a vida perfeita por alguns dias, ou segundos, me vi como uma pessoa normal, esqueci das dores, esqueci dos cortes semanais, esqueci da escuridão. Mas até mesmo a mais bela cor pode se voltar contra você como num extasê ruim de uma droga alucinogina. O destino tem me faltado com respeito, tem me dado e tirado antes que eu podesse ver. O destino não compreende minha dor em perder e eu me deparo com o macabro abismo da minha vida, a ausensia de tudo e todos que ele me tirou. Com um leve toque, a pele macia e ondulada, um corpo farto, um abraço singelo, um simples toque para lhe proteger das mariposas que lhe pertubam a vida. Sua pele morna comparada com a minha, que é extremamente quente por causa do ódio pelo mundo ou extremamente fria pela indiferença com os seres, me faz sentir o sabor de ter alguém, mas ele me tirou de ti, meu abraço a fez entrar no meu coração, que, talvez não por maldade, o feriu profundamente com linhas manipuladas por seus dedos.
O mesmo vento que trás as brisas frescas, leva embora tudo que me sobrou. Me deparo de novo com o abismo que pareceu brilhar um chão por algum tempo, mas a mesma construtora o destruiu, meu destino é ver minhas mulheres aruinarem a felicidade que elas criam dentro de meu peito, meu destino é ter nas mãos a felicidade e vê-la partir sem que eu beba de seus liquidos ferteis. Meu mundo desabando com os ventos do meu fato.
Vendo você partir com lágrimas nos olhos, procurando nossos amigos, vejo você se decair por alguns segundos e me amaldiçoar, mas eu já estou ferido de mais, não mereço a sua atenção. Não sou digno nem que levante a voz pra mim. Pois o destino vai te levar embora de qualquer jeito. Não adianta eu voltar a me cortar, não adianta eu pular dos prédios e nem tentar me afogar, você não vai entender e eu vou ganhar mais uma cicatriz, pois nada substituira os momentos que passei com você. Então o castelo que eu criei, que era de areia, cai sobre mim. A torre de chocolate derrete sobre minha cabeça. Talvez a culpa seja minha, mas meu sofrimento foi duplo, por mim e por você, que logo ira se redimir. Mas a vida é mais simple do que se imagina, a noite escura e gelada daquele dia me ensinou a conviver cm a dor sem reclamar, me ensinou a não chorar porque tive que deixá-la.

Rosa Infiel


Procurei o mais fundo que pude. Achei apenas essa massa caotica e escura. Não sei mais o significado de amor, não sei se quer o meu significado. Vejo meus amores me traindo, vejo a infidelidade na minha cara. Mas aquela solidão é minha mante desde aquele dia que perdi tudo, eu não me importo com mais nada a não ser a minha solidão que se monta aos poucos e vira minha fortaleza. Lágrimas secas não tem mais de cair, do tanto que já o fizeram. Eu queria muito abraçar ela e senti-la, mas quando a abraço eu sinto outra coisa, sinto aqueles braços gelidos e fofos, sinto aquela pele macia e suave. É incrível com quando você é abraçado por ela, todo o resto é apenas segundo plano, todo o resto não tem significado algum. Eu sempre jogo aquele esporte de homem: Roleta Russa. Espero que um dia eu deixe de ser imortal e finalmente volte para o aconchego daqueles braços, apenas antes de morrer podemos sonhar tão bem quase real. Esse é o unico realismo que preciso, com tantas vadias e mulheres por aí que podem facilmente me esquentar, eu apenas quero aquela verdade falsa onde eu sonho com ela e a beijo ternamente vendo minha alma sendo consubida. Mas esse dedo que aponta pra mim, me julga e me sacrifica não é amigável.
Todo o meu império de respeito e meu cavalo de honra e gloria é facilmente derrubado por aqueles dedinhos finos que nunca serão dela. É facil ouvir meu nome misturado com os mais sordidos nomes ofencivos que estão obscurecidos em mentiras leves para amenizar a dor sucumbida por facas invisiveis. Vejo todos se esfaqueando como samurais japoneses que perderam seus mestres. Vejo um mundo imaginario se formando na cabeça da criança que não é mais tão criança. Por que eu preciso estar preso a ti? Por que eu preciso morrer assim? Eu não sou domesticável, eu tenho minhas próprias garras de fidelidade e não preciso que você me julgue, as flores no meu jardi são apenas flores, e minha criação de falças rosas é apenas uma que consome minha vontade.
Uma rosa tão infiel ao seu dono que me espeta ferosmente enquanto de seus lábios ensaguentados ouço palavras de amor. Minha aparencia rustica tem as mão leves e delicadas de um bom amante que agora se enche de cicatrizes e se torna fria e crua depois de tanto me apontar esses espinhos. Minha cabeça roda com seu veneno inescrepuloso e eu lembro de novo dela. Aquele charme delicado, longe de uma rosa. Sua beleza escura se apróximando. Sinto cada dia mais próximo dela, sem poder tocá-la eu a vejo todas noites. Sem poder senti-la eu espero ela me dar o primeiro e último beijo que me levara para seu mundo doce onde meu corpo apodrecerá e eu me tornarei rei de meu próprio castelo de areia. Ao menos a dor é fiel e não me trai. Ao menos a dor que seus espinhos me causa não mentem pra mim. Seus jestos delicados me levam para longe, para junto daquela cujo eu espero sentado na árvore a tantos tempos. Seus dedos magros me julgando carinhosamente são o que me levam a querer de novo cortar meu peito e esperar o sangue descer, e esperar até que ela apareça de novo para mim.

Somos os palhaços que somos


Superar o destino que nos foi dado é fácil. Vemos aos poucos nossos herois morrer, mas não aqueles herois que idolatramos, mas os herois que ficam dentro de nós mesmo e nos salva de toda enrrascada. Aquela garra não existe mais, deixamos de ser viventes e passamos por completos idiotas procurando respirar algo imaturo em um luar claro como o dia ensolarado. Dourado e prata se misturam no vazio ditado por corações escuros, o dia trancado em uma cova saindo a noite para apreciar a areia cinza que rodeia toda a vida, como um vampiro no meio do deserto procurando uma unica vitima. Que não vai aparecer. Não podemos mais ser salvos por nada. O respirar é um blefe dos mais sujos e impuros, a mais ridícula das mentiras está no meu sangue que faz minha vida seguir em frente. Não somos mais dignos de levantar a voz para nós mesmos. A alegria não é mais tão feliz nos dias de hoje. Não se sabe mais definir dia e noite, não se sabe mais definir doença de realidade. Descobri facilmente que a palavra alivio nunca saiu de minha boca, percebi que a muito tempo a angustia de uma vida inescrepulosa dá a luz um rapaz sem vaidade, sem objetivo e sem amores.
Como um pequeno jardim sem flores, apenas plantas, não sabemos mais o que é belo e o que é feio. Temos certeza de que esse não é o mundo que desejamos e desejamos que este não seja o mundo que imaginamos. Viajens dentro das pequenas cabeças de seres ridiculos com suas leis e definições. Mesquinhando um pouco de ordem para que não sofram. Nem se quer sabemos como é sofrer pois temos medo de que doa, criando leis que nos torna previsivel em cada atitude. Não sabemos se quer o que nós seriamos se fossemos o que somos. Um sistema carente de tudo que nos é bom é a nossa chama. Ouvindo os tambores vazios sem significado algum que avisa o próximo defunto. Como eu queria querer o que eu quero sem precisar querer o que é certo. Como eu queria.
Vidas imprudentes jogadas no meio do lixo, pois é o que merecemos, colhemos apenas o que expelimos de nossos corpos, a colheita nunca é real, mas o escremento sempre foi o que nós é de direito. Quase como um fantasma sofremos dos nossos próprios acertos que parecem tão errados. A dor é menor quando eu acredita em toda essa mentira que eu escrevi. A dor é menor quando eu lembro que temos um sistema. A dor é menor porque eu me torno hipocrita e desleal com meus próprios sentimentos. A dor é menor porque eu minto para minha própria cabeça, porque a tarja preta mente pra mim. Lucidos banais que enxergam as provincias cegas de um retardado lider falho. Esse é o sistema que você quer que eu siga. Já que somos os palhaço que somos.

Amor


Sinto-me mal amado.
Pelos meus amigos.
Familiares me amam, apesar de acharem coisas erradas de mim.
Mas meus amigos, as vezes eu sinto raiva deles.
Vontade de me afastar completamente deles.
Sou um humano atingido pelo mal moderno: a depressão.
Eles parecem cagar pelo o que eu sinto.
E irrelevante.
Só se preocupam se é algo escandaloso demais.
"se preocupam"
Me sinto triste demais com isso...

P.S. Mais uma vez, escrevo isso bêbado.
O melhor jeito de ser sincero.
 
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