Perpetuo com a indignação de que me vi frente a frente com os de sangue daquela que um dia banhei de amores e fui banhado de amores. Percebi que facilmente as coisas se vão, como também facilmente chegam, nas noites mais frias um beijo doce e suave pode acontecer no meio da escura solidão macabra que rodeia pessoas que já não têm mais nada, tornando aquela massa fria em puro calor nostalgico e agoniante. Sabendo que na próxima manhã ensolarada o adeus gelido e sombrio sem motivos ou razões irão de acontecer. Me vi com a vida perfeita por alguns dias, ou segundos, me vi como uma pessoa normal, esqueci das dores, esqueci dos cortes semanais, esqueci da escuridão. Mas até mesmo a mais bela cor pode se voltar contra você como num extasê ruim de uma droga alucinogina. O destino tem me faltado com respeito, tem me dado e tirado antes que eu podesse ver. O destino não compreende minha dor em perder e eu me deparo com o macabro abismo da minha vida, a ausensia de tudo e todos que ele me tirou. Com um leve toque, a pele macia e ondulada, um corpo farto, um abraço singelo, um simples toque para lhe proteger das mariposas que lhe pertubam a vida. Sua pele morna comparada com a minha, que é extremamente quente por causa do ódio pelo mundo ou extremamente fria pela indiferença com os seres, me faz sentir o sabor de ter alguém, mas ele me tirou de ti, meu abraço a fez entrar no meu coração, que, talvez não por maldade, o feriu profundamente com linhas manipuladas por seus dedos.
O mesmo vento que trás as brisas frescas, leva embora tudo que me sobrou. Me deparo de novo com o abismo que pareceu brilhar um chão por algum tempo, mas a mesma construtora o destruiu, meu destino é ver minhas mulheres aruinarem a felicidade que elas criam dentro de meu peito, meu destino é ter nas mãos a felicidade e vê-la partir sem que eu beba de seus liquidos ferteis. Meu mundo desabando com os ventos do meu fato.
Vendo você partir com lágrimas nos olhos, procurando nossos amigos, vejo você se decair por alguns segundos e me amaldiçoar, mas eu já estou ferido de mais, não mereço a sua atenção. Não sou digno nem que levante a voz pra mim. Pois o destino vai te levar embora de qualquer jeito. Não adianta eu voltar a me cortar, não adianta eu pular dos prédios e nem tentar me afogar, você não vai entender e eu vou ganhar mais uma cicatriz, pois nada substituira os momentos que passei com você. Então o castelo que eu criei, que era de areia, cai sobre mim. A torre de chocolate derrete sobre minha cabeça. Talvez a culpa seja minha, mas meu sofrimento foi duplo, por mim e por você, que logo ira se redimir. Mas a vida é mais simple do que se imagina, a noite escura e gelada daquele dia me ensinou a conviver cm a dor sem reclamar, me ensinou a não chorar porque tive que deixá-la.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comments
Postar um comentário