Rosa Infiel


Procurei o mais fundo que pude. Achei apenas essa massa caotica e escura. Não sei mais o significado de amor, não sei se quer o meu significado. Vejo meus amores me traindo, vejo a infidelidade na minha cara. Mas aquela solidão é minha mante desde aquele dia que perdi tudo, eu não me importo com mais nada a não ser a minha solidão que se monta aos poucos e vira minha fortaleza. Lágrimas secas não tem mais de cair, do tanto que já o fizeram. Eu queria muito abraçar ela e senti-la, mas quando a abraço eu sinto outra coisa, sinto aqueles braços gelidos e fofos, sinto aquela pele macia e suave. É incrível com quando você é abraçado por ela, todo o resto é apenas segundo plano, todo o resto não tem significado algum. Eu sempre jogo aquele esporte de homem: Roleta Russa. Espero que um dia eu deixe de ser imortal e finalmente volte para o aconchego daqueles braços, apenas antes de morrer podemos sonhar tão bem quase real. Esse é o unico realismo que preciso, com tantas vadias e mulheres por aí que podem facilmente me esquentar, eu apenas quero aquela verdade falsa onde eu sonho com ela e a beijo ternamente vendo minha alma sendo consubida. Mas esse dedo que aponta pra mim, me julga e me sacrifica não é amigável.
Todo o meu império de respeito e meu cavalo de honra e gloria é facilmente derrubado por aqueles dedinhos finos que nunca serão dela. É facil ouvir meu nome misturado com os mais sordidos nomes ofencivos que estão obscurecidos em mentiras leves para amenizar a dor sucumbida por facas invisiveis. Vejo todos se esfaqueando como samurais japoneses que perderam seus mestres. Vejo um mundo imaginario se formando na cabeça da criança que não é mais tão criança. Por que eu preciso estar preso a ti? Por que eu preciso morrer assim? Eu não sou domesticável, eu tenho minhas próprias garras de fidelidade e não preciso que você me julgue, as flores no meu jardi são apenas flores, e minha criação de falças rosas é apenas uma que consome minha vontade.
Uma rosa tão infiel ao seu dono que me espeta ferosmente enquanto de seus lábios ensaguentados ouço palavras de amor. Minha aparencia rustica tem as mão leves e delicadas de um bom amante que agora se enche de cicatrizes e se torna fria e crua depois de tanto me apontar esses espinhos. Minha cabeça roda com seu veneno inescrepuloso e eu lembro de novo dela. Aquele charme delicado, longe de uma rosa. Sua beleza escura se apróximando. Sinto cada dia mais próximo dela, sem poder tocá-la eu a vejo todas noites. Sem poder senti-la eu espero ela me dar o primeiro e último beijo que me levara para seu mundo doce onde meu corpo apodrecerá e eu me tornarei rei de meu próprio castelo de areia. Ao menos a dor é fiel e não me trai. Ao menos a dor que seus espinhos me causa não mentem pra mim. Seus jestos delicados me levam para longe, para junto daquela cujo eu espero sentado na árvore a tantos tempos. Seus dedos magros me julgando carinhosamente são o que me levam a querer de novo cortar meu peito e esperar o sangue descer, e esperar até que ela apareça de novo para mim.

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