O tempo esvazia nosso conteudo


Ontem a virada do dia foi especial para todos que meus olhos podiam alcançar. Meus olhos molhados de lágrimas com objetivos inalcançáveis. As decorações e os sorrisos... muitos deles me enjoavam enquanto eu chorava ouvindo musicas fora de epoca e vendo imagens que nunca sairam de minhas pesquisas. Incauculáveis os momentos que passei, masos que decorrem minha lembrança meus dedos da mão estão fartos de contar. O dia era bem especial para muitos, mas pra mim não era. Pra mim ela ainda vinha com seu grande veu negro, seu belo corpo de varias cicatrizes passadas. Eu estou assim apenas porque a vida me quer assim, meu momento é unico, não por ser só agora, mas por só ter ele. Não existe um unico motivo para me deixar assim, mas sim vários motivos especiais que me fazem tornar o que sou. Eu pensei em encubar minha tristeza mais um pouco, como todas vezes que escrevo, porem, dessa vez não seria eu que agoniado com tanta maquiagem e falsa felicidade se corroe mais e mais. A pele putrida responde todas suas perguntas de como é feito um homem como eu. Um homem já tão bem falado como único. Ou seria unicamente... putrido. A invalidez simples, como ganhar uma carteira nova e funcional, quando voce é apaixonado pela antiga. Inutil tentativa de continuar vivo em um mundo onde já está morto. Dias felizes estão apenas no calendário que você conta os quadradinhos chorando. Em busca do texto perfeito, achei a mim mesmo escrevendo e apagando varias vezes. Encontrei a mim olhando uma tela em branco.
Hoje cometi o meu maior suicidio. Não foi filosofico. Nem poetico. Eu apenas expressei a dor de um velho morimbundo sem muito o que fazer ou dizer. Com coisas intaladas na garganta, coisas que terá que guardar em seu peito, pois ninguém quer ouvir. A esperança de que um dia ela volte e leve comigo os problemas embora e a dor que tanto me atormenta. Mas a verdade é que ela não voltará mais. A verdade é que estou sozinho deitado em tal cama, a enfermeira me dirá quando eu acordar que ninguém veio me visitar, nem mesmo ela que costumava me esperar sempre. O tempo passou e eu perdi todas minhas chances. Nunca irei me perdoar por ter deixado a areia escapar de minhas mãos, nunca irei me perdoar por ter deixado o ar escapar de meus braços.
Sentado aqui estarei a esperar suas mãos geladas me levar para o seu mundo onde as coisas farão sentido e começaram a ter cores. Cansei de viver o não viver de minha vida pacata e sem o menor sentido. Preciso apenas de um colo.

Sozinho com Niguém


As pessoas necessariamente nascem para morrer. Algumas vivem intensamente esperando o dia chegar. Outra nascem já morrendo. Nascem como outras quaisquer. Mas desde o inicio de suas vidas, perdem. Vejo o tempo passar de um lado para outro sem mover um dedo se quer, deitado na minha cama observando a paisagem do teto eu vejo o tempo passar e voltar de novo, vejo todos indo embora. Vejo as coisas que me empolgam e me excitam presas na minha garganta. Vejo os gritos de alegria e o longo desabafo que não posso mais ter. Palavras agoniadas na garganta me fazem vomitar cada vez com mais vontade. As coisas aos poucos vão mudando e o que era um grande ciclo de amizade se torna seu maior desespero, as coisas bobas que não pode mais falar, não tem mais com quem conversar ou com quem desabafar. Até os textos carismáticos e envolvidos de sentimentos se tornam vazios em ciclos viciosos da própria solidão e carência.
Cercado de carinho e proteção, preso em um mundo onde não pode falar ou dizer qualquer palavra. As conversas medidas rigorosamente, as tentativas desesperadas de desabafar são impedidas. Uma troca rápida de assunto e você percebe que as pessoas são diferentes... são diferentes de você e está sozinho. Está totalmente sozinho, sentindo o frio e a falta de ar...
Então você escreve todos seus sentimentos e ninguém se importa, ninguém lê ou ouve. Você diz os entender enquanto pedem para que você os veja e de novo você percebe que está sozinho, apenas você e a sua maldita musica sobre solidão. Apenas você e o seu frio incondicional que atormenta sua cabeça nas viagens para profissionais que tentam te ajudar, que são pagos para te ouvir, mas no final está sozinho... estamos sozinhos. Afundado nas minhas palavras sem sentido algum a proclamar, sem emoção a sentir. Apenas eu e minhas palavras. Apenas eu e meu mar de textos inúteis sobre sentimentos inúteis que ninguém se importa. Um rio de lágrimas não choradas em forma de palavras. Um choro de solidão e sufoco. As musicas tocando ao fundo se misturam com toda a agonia das palavras que você é proibido de falar. As pessoas desviam de você, sem poder desabafar você está sendo ignorado enquanto fala. Não a resposta alguma. E você vê que novamente está sozinho. Digo o que quiser, o que eu sinto e o que eu vejo, sem me preocupar com quem ouve ou lê. Pois ninguém me ouvira.

Deixa o buraco queimar que é melhor pra nós dois.


Hoje mal pude me identificar, mal pude ficar de pé. A felicidade veio a tona, tomando meu peito, eu até ouvia meu coração bater. A felicidade foi embora na mesma velocidade. Meu dia mais ensolarado, mais encantado... eu o observei queimar e se desintegrar deixando um grande rastro de fumaça. Mal lembro o nome dos meus amigos e as idades de minhas irmã. Nem mesmo quem eu sou eu sei. O lixo andando lá fora pela rua, o vento faz rodar a poeira e eu não sei o nome de nenhum deles. Eu lembrava do brilho no olhar dela, seu corpo magro e pequeno encolhido no meu corpo, tão frágil. A grama alta e os prédios altos do outro lado da rua, eu a apertei muitas vezes para acreditar que era real. Eu me senti feliz, mas a felicidade tem movimentos traiçoeiros, iludido por uma imagem na minha mente. Crente de uma impureza. Esperando ser salvo, quase sem ar. Vejo agora o abismo imundo e sujo onde ficava a minha praça favorita. Eu não reconheço os corpos queimados nem os cenários distorcidos, eles eram bonitos, mas não eram reais. A felicidade correu de mim como a água corre para o mar. Eu não atraio mais eles. Minha feiúra é ímpar. Com desprezo ela corre de mim. Ainda sinto o amor dela e o cheiro doce dela, mudei minha vida e minha cultura por uma mentira. Um mentira real. Uma realidade que não consigo abandonar. Com tanto remédio eu espero voltar a dormir e sonhar novamente com isso. Esse sabor doce e molhado que rodeia meus lábios. Vejo um buraco de uma bomba nuclear onde ficava minha felicidade. Escurecida e nublada agora, como meu infeliz coração que sangra novamente depois de tantas cicatrizes.
Mas o que eu sentia era tão bom que eu me deito ao lado dos corpos queimados e abraço forte ela. Agora quase reconhecível. Sua beleza não se apagou, ela ainda está inteira, e ainda está viva, eu posso sentir seu calor arder em mim agora, sinto minha pele e meu rosto derreterem e meio a sua paixão. O cenário arde em chamas, mas nós dois ardemos em paixão. Minha felicidade vai embora deixando um grande buraco. E meu coração sangra mais uma vez sem ter o que abraçar. Meu braço treme de tanto medo dessa escuridão que agora será minha companheira pro resto da vida. O que eu vive?
Nada. Nada pode mudar o que aconteceu. Meu corpo ferve e derrete, ah meu bem, grudaremos eternamente. Não posso fazer mais nada além de ficar aqui sentado observando o buraco onde ficava meu prédio favorito. A felicidade me abandonou, até ela fugiu de mim. E ela... ela me disse o nome dele. Eu não lembro, não lembro nem o meu nome. Nem nome eu tenho. Não vivi nada, tudo um ilusão esquizofrênica de minha mente, era tudo um buraco enorme, mas eu sinto meu coração sangrar depois de bater tão forte e rápido. Isso foi real, o meu sofrimento foi real. Minha dor foi real, tão real quando a mentira de uma vida feliz prometida pra mim. Uma terra miserável, que restou só cinza, nenhum homem além de mim ousa pisar. É minha terra prometida, meu buraco particular, minha felicidade indo embora. Ela me disse o nome dele. Não ela não me disse. Mas eu sei. Ausência de medo. Ausência de amor. Ausência de vida. Eu não estou vivo. Só estou procurando minha cova.

Explicações pós Trauma


No meu leito de morte eles irão te ligar. Todos chorarão a morte de um ser que a maioria ignora a existência. Mas as lágrimas caídas enquanto escrevia isso, acredite, são mais dolorosas que qualquer outra perda de alguém querido. A dor de saber que a pessoa está ali, e você só poder ficar olhando ela por de trás dos arbustos com olhos vermelhos. Já faz tempo que a noite se tornou tão insignificante quanto as coisas que faço no dia a dia. Eles te mostrarão essa carta enquanto dirão palavras bonitas sobre como eu era, você acreditara, mas no fundo nós dois sabemos a vida podre que levei com homens maus em lugares escuros, sangue jorrando de cálices de ouro e as palavras bonitas que estavam totalmente sujas. A ilusão pela que passei foi maior do que a que impus em teus olhos negros que me diziam sempre que eu estava errado. A doença da vida me mata de vagar e é dolorosa com suas variações, o que vive tornaria qualquer homem bom em um ser maligno. Talvez eles tenham piedade e eu poça realizar meu último pedido, mas pelo que entendo de você, estou desejando o impossível. Vão lhe mostrar todas as mensagens e imagens que tenho guardadas sobre você, vai demorar um pouco, mas você vai entender que todo o resto também era sobre você. A doença afeta meu psicológico e depois passa para meus nervos. Acredite, pequena, a dor é grande, mas eu grito calado, em silencio, como sempre fiz. Você não acredita e eu não vou mentir, nunca amei a primeira vista, custei a entender que era você quem eu queria e não os jogos e mistério das pessoas ao seu redor. Mas não sou acostumado, te ver sorrindo com outro me dói, principalmente quando ele quem é o cafajeste e não eu. Detalhes que você nunca quis tentar entender, o que via era suficiente enquanto uma historia sofrida corria atrás da máscara de um homem manipulador e cruel, do manto do abominável monstro que habitava um corpo nu. Dói tanto que algumas vezes esqueço-me de como ajeitava o cabelo, mas aquele sorriso eu nunca esqueço. Ele sumiu com o tempo, agora você esta seria. Eles estão de preto e te encaram antes de contar o que aconteceu enquanto você diz que meus assuntos não te interessam mais. A maioria fica apavorada com suas revelações e você ficara preocupada depois, mas nós dois sabemos que não fui um príncipe encantado e nem vivi em um belo reino. A masmorra era meu jardim na casa das espadas cancerígenas.

Como eu queria te contar o que realmente aconteceu, mas eu errei ainda no meio de tanto drama, não consegui acertar onde mais dizia querer errar. Nenhuma das outras pessoas foi melhor do que o meu namoro imaginário com você, nada real foi capaz de superar a nossa surrealidade nos momentos mais complexos, nada certeiro foi capaz de ser melhor do que a indefinição pela qual passei contigo. Eles continuam chorando enquanto você faz aquela cara de mal. E é no meu leito de morte que eu vou desejar te ver. Quando eu ver aquelas pequenas luzes no teto do hospital e eles disserem que haviam se enganado e que agora era tarde. E eles tem razão sobre isso... não é mais benigno, agora é tarde mais para diagnosticar, esperemos a morte chegar, assim podemos remexer na carcaça e revirar o lixo interno até encontrar aqueles homens maus, as entidades modernas de tempos antigos, os figuras macabras e as mulheres chorando.

Como disse uma vez: Esse não sou eu. Esse é o monstro que eles criaram para devorar a sociedade.

Mas eu ainda estou aqui dentro e sou mais humano do que os próprios e a dor é arrebatadora. Não adianta liga, nem mandar cartas, nem fazer belos cartões. A imagem já ficou com um rastro de história esfumaçada em ruínas. Os dias que o sono não veio foi apenas por causa das lembranças que guardei de você me dizendo todas aquelas coisas. E os doces que cobriram o lixo da minha vida quando eu te encontrei de verdade, todos esses doces eram você. Todas as figuras se fundiam se tornando apenas um único homem, um único homem sem nome e sem saber o que fazer. Mas quando você saia ele voltava a ter os tantos nomes e caras, trazendo a morte e perturbação. As dores estão mais forte hoje depois das quase setenta e duas horas acordado. Quem sabe o que vai ser de nós dois daqui pra frente. O livro de romance sem capa termina aqui, ao menos é o que parece daqui do meu leito de morte. No passado fomos muito longe um pelo outro e nos afastamos toda vez que os olhos se encontravam. Talvez eu tivesse medo, talvez eu só não sabia, ou ainda, talvez eu só não entenda. Mas eu lembro e tento só lembrar dessa parte da minha vida, sem sombras passando por trás de casa, sem xingamentos e socos, sem algo pra reclamar. É só dessa parte que quero lembra, da parte que se resume em você. Sei que acabou. E acabou com um fim sem sentindo e sem muito o que fazer, acabou da maneira mais estranha quando eu estava tentando aceitar o meu eu dentro do monstro. Basicamente só quero dizer que te amo de verdade e que quero que meus, mesmo que pouco, últimos anos sejam vivendo o mesmo que você.

Estado Simples e Vazio


Abandonado pela própria ilusão de viver uma vida descente em um mundo indecente, escravizado por escravos de um sistema inventado por um escravo. Procurando as curvas nas retas que apontaram para procurá-las. Já estou perdido e cansado da poeira que entra nos meus olhos em dias tão úmidos. É fácil achar uma estrela daqui onde estou. O vazio é simples e acaba com minha forma, me desfigurando cada vez mais e mais. Minha imaginação vazia nem sabe mais onde começa a realidade que é igualmente vazia. São as musicas estranhas que me fazem lembrar de que tem algo errado com aquilo que eu não sou. E são as musicas que os outros ouvem que me fazem ver que eu sou o que acho que sou. É quando ninguém liga para ela com aquela voz depressiva, os bons amigos se foram e a melhor amiga nem ouviu o meu choro atrás da porta. É fácil ver quando tem algo errado, o barulho do telefone desligado no meu ouvido é bem claro e é o único que me diz a verdade. O vinho era só pra acalmar, mas a verdade é que dói tanto e o álcool faz o cérebro parar de funcionar, não consigo mais parar. Eu queria parar de sangrar, mas a dor é tão aconchegante e faz o cérebro parar de funcionar. E a voz dela é tão bonita, pena que o telefone está desligado me sucumbindo ao espaço vazio entre nós dois. O nome dela já faz tanto efeito que meu coração nem bate mais quando alguém o diz. As vezes penso que sou desafortunado, mas aí lembro que um dia já tive ela em meus braços, e, por vez, lembro que ela foi embora, que a vida infeliz que eu vejo passar na tela de um computador, que só mostra os momentos felizes, é minha.

Quanto mais eu vou ter que esperar por ela. Ela disse que nunca mais iria voltar, eu tento não acreditar e ainda espero ela chegar, minha esperança de ver mais uma vez o sorriso dela aparecer no meio do vazio entre eu e minha mente. A perna tremula e o barulho da faca se chocando com a minha pulseira é freqüente, eu cismo que tem que acabar logo, mas não consigo dizer não para os olhos delas.

Com certeza não é o meu nome que ela chama mais. Ela disse que está bem, eu discordo porque acho que ela ainda me ama. Sou um espantalho cinza no milharal negro, esperando aqueles corvos vermelhos saírem para o milho voltar a crescer e aquela donzela em azul reaparecer para eu ao menos vê-la uma ultima vez. As gotas vermelhas que caem do céu são grossas e eu estou rindo mais uma vez porque sei que daqui a pouco vai acabar, mas antes ainda vai arder bastante.

Pai, Sai Da Cama


Hoje em dia eles exigem respeito pelos seus filhos. Pessoas dignas e de respeito que se ajoelham aos seus pés pedindo-lhes que os respeitem. Pequenos filósofos com uma mente extremamente pequena e com pouca alegria na vida. Exigem que você os respeite mais que tudo. Eles te criticam quando você é assaltado, te negam quando é estuprado, te menosprezam enquanto você chora no seu quarto. Incompetentemente você tenta respeitá-lo esperando aquele sorriso fosco e sem graça seguido de um curto abraço, mas não. Eles querem mais e mais respeito, querem que você os respeitem enquanto está sendo morto aos poucos por simples e minúsculas facas caseiras, tentando fugir desse ciclo vicioso acabamos lambendo as enormes feridas no braço que não ajuda, porque ainda é criticado por isso. Levante o punho e grite em peito aberto que quem quer respeito é você, que eles merecem respeito antes mesmo de pedirem, é como estar assinando o seu assassinato social. Hipócritas caseiros, nascidos e criados por uma família tão hipócrita quanto o mesmo. Hipócritas criando, atualmente, pequenos demônios perturbados, monstros indignos de qualquer atenção. Seres cruéis que nasceram para se vingar dos adultos que agora pedem para serem crianças, e em vão eles acabam matando todas as crianças. Esperança escondida em um buraco fundo de puro desprezo e arrogância de uma mente minúscula e nazista que luta com os miúdos apenas para criar uma nova e pura raça de adultos. Os cegos riram de mim quando apontei o dedo para eles, a luz cegou uma boa parte das crianças que se rebelam contra inimigos invisíveis esquecendo o primeiro e único inimigo das mentes livres e doentias, que são tão puras e infantis como uma menina dançante, esperando o grande som de uma guitarra pura que faça barulho. Perdidas na identidade da escravidão de um sistema hipócrita vinda de infelizes pais que correm essas mentes. Os miúdos estão voltando. É preciso muito mais que a voz de uma bela moça ou as cores do arco-íris, porque as crianças estão se matando pelas simples exigências de perfeição de pais inúteis. Procurando liberdade nas correntes da hipocrisia de um grupo anti-social, formando sistemas anti anarquistas, exigindo que os outros deixem de exigir e gritando com os brigões. Crianças que aparecem com sangue nas pernas e choram com correntes nos braços são criticadas pela sua incapacidade. Pequenos que se escondem da sociedade que os correm a mente são criticados pela sua inutilidade. É preciso mais do que um beijo, é preciso mais que um abraço. É preciso ser quem é.

Entrem na fila para o mundo dos hipócritas. Lá todos são descartáveis e você pode derrubar quantos quiser. A vingança é feita de dentro do prato dos porcos, assassinem os respeitosos seres em seu próprio mundo e suas próprias leis. Respeitem suas mortes enquanto envenenam os cachorros que sabem falar alto. Peça desculpas quando ela pedir para fazer isso, mas use a mesma faca que ela usa para cortar a carne. Eduquem-se com o rancor de vive ruma vida com respeito aos outros. Seja o que teme.

Mate o padre da igreja enquanto abaixa a cabeça e sorri de seus sermões especiais para você. Atire nos garotos que te batem enquanto você da gargalhadas de seus supostos socos que agora não doem mais. Arranque o cabelo das garotas enquanto ri das piadas sujas delas que não tem mais graça. Saiam do sistema determinado quando eles te estupraram, sorria quando se lembrar da mão do seu parente no seu rosto. Se cale quando os cintos te atingirem com força. Faça o inusitado que ninguém espera. Quebre a perna do primeiro e do segundo, deixe o terceiro passar porque tem algo que te atrai. Aceite sua humanidade e brinque de ser humana enquanto ri dos porcos no próprio mundo hipócrita deles.


Se sentir sozinho é horrivel... Se sentir longe de companheiros, amigos, irmãos...
Você tenta pensar em algo feliz. Você até consegue, mas logo você pensa que está fazendo aquilo sozinho, sem ter um apoio, que está distante de tudo o que você queria...
Talvez esse seja o maior problema da minha vida: Falta de apoio.
Apoio moral. Apoio naqueles momentos que você só precisa de alguem pra te ouvir. Só pra dizer "tô aqui contigo, vai em frente!". Apoio pra falar que o que você está fazendo, por mais errado que seja, é legal!, é o melhor pra ti.
Daí me surge outro problema...
Ser solidário demais...
Acho que posso dizer assim, 'solidário'...
Eu apoio as pessoas...
Mas não recebo o mesmo em retribuição...
E eu acabo esperando que elas me dêem o mínimo de apoio, mas elas ignoram sua situação. Acham que é banal, que é passageiro.
...
É triste ser só...
P.S.: Tô bêbado, mas isso não torna o texto menos verdadeiro.
P.S2.: Percebi que não tenho a mesma habilidade poética do meu irmão... Mas foda-se.

Mãe Solidão


Me peguei pensando em alguém que está muito distante e acabei percebendo que todas pessoas estão muito distantes, o mundo já não gira em torno de mim e o frio aperta meu coração com as duas mãos. Me pergunto onde foi parar todo mundo. Onde foi que eu vim parar. A solidão tem uma sala enorme e escura. Meu corpo já nem se meche por vontade própria, deixo meus ossos quebrados e músculos pútridos para que o mestre dos fantoches me guie com aquelas mãos escuras e pequenas. A única paisagem que observo é o chão que tira toda minha percepção de vida ao meu redor e a sala enorme deixou o ar escapar tão rápido, ou foi o próprio ar que também está distante. Não sei aonde vim parar, o frio e o escuro da noite me aconchegaram no colo da solidão, que arrancou meu coração partindo-o ao meio. Também não sei onde ela foi parar. Espero na beira da praia o barco dela se aproximar, mas eu e meu mundo não brilhamos mais.

As vezes acho que foi apenas algumas horas e ela logo vai voltar. Mas a solidão cochicha no meu ouvido quantos anos se passaram e acaricia meus machucados. A cicatriz é grande e longa. O frio a faz arder me lembrando do dia em que pulei do prédio. Os ossos quebrados também gritam, o nome parece o dela, mas a dor as vezes engana meus ouvidos que, apodrecidos, não identificam alguns sons que costumavam ouvir quando ela ainda olhava para mim sorrindo. O desconhecido me leva para ruas onde as mulheres passam, todas essas mulheres são elas, mas nenhuma delas é ela. Mais confuso fico com o tempo, os olhos velhos e secos observam o andar e o sorriso dela em imagens nas árvores. Sentado ali eu espero meus velhos amigos voltarem ou novos aparecerem. Mas o ar só some e as imagens que meu cérebro produzem ficam só na imaginação que se torna quase fértil no ponto em que cheguei.

A piscina é funda e eu não vou voltar a tempo. O ar vai sumindo assim como as imagens. Eles não me querem mais. O desespero bate e meus ossos quebrados pensam em se debater, a dor aguda começa quando eu faço esforço pra abraçá-la na minha frente. Meus amigos estão voltando. E eles jogam flores encima do meu corpo. Minhas lágrimas são invisíveis enquanto se misturam na água com cloro, até mesmo o escuro está indo embora. A solidão partiu deixando o rastro de agonia naquela última bolha que sobe pra superfície enquanto o cérebro vai apagando.

O Chocolate Que Deve Ser Esquecido


Sentado na sala, comendo chocolate, escorreguei para a outra ponta do banco. O teto parecia familiar com aquelas manchas cinzas. O rosto dela se formava conforme eu me despedia de um pedaço de chocolate. As cores ficavam mais fortes enquanto eu lembrava das vezes que ela sorria e soprava beijos para mim. O tempo parecia curto enquanto eu vivia uma vida, o ar me faltava quando via o rosto dela indo embora. Não lembro se quer o nome dela, mas é ela quem me faz querer sentir de novo o gosto do chocolate. O paladar fica doce e eu olho pro meu lado, me revolta quando não a vejo. Percebo que estou sozinho, meu rosto se cora envergonhado das coisas que fiz para que ela partisse da minha lembrança. A luz dentro da sala é fraca e o sofá me aconchega nos braços dela. Eu prefiro não olhar para os lados sabendo que não a verei. Com meus olhos fechados parto para outra dimensão onde eu corro pelo campo. Sei que ela não está do meu lado e meu caminho é longo, mas prefiro fingir que seguro a mão dela. Sua mão fica mole, lembro de ser macia e suave, lembro dos seus dedos pousado nos lábios. O papel amassado e o chocolate batido escorregam aos poucos pela minha mão, meus olhos se abrem com uma gota correndo meu nariz, de novo o vazio do sofá invade meus olhos.
Percebo que é preciso mais do que o que posso fazer para esquecê-la. É preciso ser alguém que nunca serei enquanto o rosto dela formado a frente dos meus olhos diz que aquilo é só uma lembrança e ela não vai voltar. Ainda como o chocolate que perdeu o gosto e, amassado, não me agrada como antes. O gosto doce não vinha do chocolate e sim do jeito que ela me tratava enquanto sorriamos com brincadeiras. Sabia que seria mais uma noite que não dormiria e a esperaria sem ter volta. São muitas as fotos que eu tenho na memória e pouca a vontade de continuar. O chocolate fica cada vez mais difícil de ser engolido enquanto, derretido escorrega pela minha mão acompanhado das gotas que escorregam sobre a maçã de meu rosto.
O desejo de rever os olhos brilhantes com aqueles pequenos defeitos na face são maiores que minha força de vontade, luto para desistir, mas sei que não é o suficiente. Me rendo ao vazio do outro lado do sofá. Me abraço à ausência de vida enquanto o resto do chocolate escorre no chão. Não posso mais ouvi-la dizer que me ama, não posso mais dizer o quanto a amo ou ouvi-la cantar desafinadamente. Temo que o vazio me mate, mas o frio absoluto que derrete o chocolate é o que tenho agora sentado nessa sala com o rosto molhado.

Soluções.


Passo dias vendo meu corpo decaindo. Olho no espelho e vejo aquela massa desfigurada de quem um dia já teve um ar pra respirar. Um dia após o outro fui andando para não ter tempo de olhar pra trás e ver tudo que fiz. De ver o rastro de angustia, ver aquela mistura de ódio e solidão fundidas em uma unica cauda que saia de mim. Tenho apenas alguns minutos ate terminar de escrever, meus braços estão fracos, o oxigênio na cabeça falha. Poderia correr até o hospital mais próximo que fica a dois quarteirões daqui. Mas não é chamar atenção que eu quero. Tentei chamar por quatro anos, mas não funcionou. Meu pai quem me dizia: Faça algo para não ficar pensando, pois pensar só trará tristeza. Não adianta, tem calos nos meus pés. Tem sangue escorrendo no meu braço e não é do corte. A banheira está inundada de vermelho, e não sou eu ali deitado. Ajoelhado ao pé da cama eu não rezo. A mão passando pelo crucifixo não é uma tentativa de me salvar. Olhando pra cima eu vou me despedir de todos que não podem me escutar. Com um movimento leve a cabeça cai pro lado. Com um movimento leve eu não sinto mais nada. Os vizinhos acordaram, eles me idolatram, acham que eu sou um herói, todos me arrudeiam. Todos gritam meu nome e choram por um aperto de mão ou um abraço. É, eu finalmente tenho atenção. Tudo fica branco, até as minhas roupas sujas. Ela diz que sempre me amou, eles dizem que sempre me amaram. Escreveram que eu sou um ótimo amigo e sempre fui uma boa pessoa que ajudou a todos. Um cara inteligente de muitas qualidades.
Não minta pra mim no meu leito de morte. Continue rindo com seus amigos. Continue rindo do meu fracasso. Ria do meu maior fracasso de não aguentar viver. Confie em mim. Eu não vou mais te irritar.
De novo o espelho, de novo meus braços sangrando e a falta de oxigênio na cabeça. Por que o mundo é tão escuro? Não, não é tão escuro, é só a gente morrendo. Será que decepcionei alguém? Não, não decepcionei ninguém. Ninguém esperava nada de mim. Eu sou previsível. Todos já sabiam que eu não ia durar. Mas no final o que me é importante não foi o tempo, mas o que me fez durar até esses últimos minutos. Haaah... nem a lâmina dá pra segurar mais. Deus me disse algo. Ele disse...

Sem cores


Sentado no quarto, esperando ela voltar. Olhei pra cima e vi aquele maldito teto de cor clara e que nunca me diziam nada. O ponteiro maior do relógio estava parado. O abajur remendado de uma vez que brigamos gritava silenciosamente para as paredes sem ouvidos. Conseguia ver o fogo se espalhar pela casa. Tudo virou cinzas. Silencioso e encarando o canto mais baixo da porta, a abri e olhei para fora. A paisagem é diferente, nada tem cor, os seres vivos sumiram. O preto e branco me faz lembrar dela, de quando ela me dizia o quanto cinza eu era, o quanto eu não estava ali. O portão verde parece cada dia mais longe. A vontade de sorrir e ser livre se afasta dos olhos sábios. Os dias são longos e o ano passa rápido. De que adianta meus malditos planos? Aqueles dias que fiquei até tarde tagarelando sobre nossos futuros filhos? De como eu ia trabalhar pouco e me dedicar a ela? Distraio minha mente com pornografia até o dia clarear, até o momento que fico com sono e vou dormir, porque se eu deitar antes... se eu deitar antes eu vou pensar e rolar e ficar frustrado. Acordo tarde, cansado e perdido sem ninguém do meu lado. A vaidade perdeu o sentido, minha barba mal feita e meu cabelo longo confirmam para os estranhos lá fora que eu não sou ninguém. As roupas pretas pedem para que eles não tentem se aproximar. E as marcas dizem para não perguntarem. Alguns dizem que eu preciso de ajuda, só isso. Eu precisava de ajuda. Eu não tenho mais a doença, agora sou a doença. A dor de cabeça está me matando e meu coração ameaça explodir algumas vezes. Um coma profundo, um estado vegetativo crítico, me perguntam como ainda me movo. Eu não me mexo mais. Agora eu tenho uma cicatriz. Uma grande cicatriz. E o mundo virou uma mancha cinza sem vida. Mas só eu vejo assim.
 
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