Abandonado pela própria ilusão de viver uma vida descente em um mundo indecente, escravizado por escravos de um sistema inventado por um escravo. Procurando as curvas nas retas que apontaram para procurá-las. Já estou perdido e cansado da poeira que entra nos meus olhos em dias tão úmidos. É fácil achar uma estrela daqui onde estou. O vazio é simples e acaba com minha forma, me desfigurando cada vez mais e mais. Minha imaginação vazia nem sabe mais onde começa a realidade que é igualmente vazia. São as musicas estranhas que me fazem lembrar de que tem algo errado com aquilo que eu não sou. E são as musicas que os outros ouvem que me fazem ver que eu sou o que acho que sou. É quando ninguém liga para ela com aquela voz depressiva, os bons amigos se foram e a melhor amiga nem ouviu o meu choro atrás da porta. É fácil ver quando tem algo errado, o barulho do telefone desligado no meu ouvido é bem claro e é o único que me diz a verdade. O vinho era só pra acalmar, mas a verdade é que dói tanto e o álcool faz o cérebro parar de funcionar, não consigo mais parar. Eu queria parar de sangrar, mas a dor é tão aconchegante e faz o cérebro parar de funcionar. E a voz dela é tão bonita, pena que o telefone está desligado me sucumbindo ao espaço vazio entre nós dois. O nome dela já faz tanto efeito que meu coração nem bate mais quando alguém o diz. As vezes penso que sou desafortunado, mas aí lembro que um dia já tive ela em meus braços, e, por vez, lembro que ela foi embora, que a vida infeliz que eu vejo passar na tela de um computador, que só mostra os momentos felizes, é minha.
Quanto mais eu vou ter que esperar por ela. Ela disse que nunca mais iria voltar, eu tento não acreditar e ainda espero ela chegar, minha esperança de ver mais uma vez o sorriso dela aparecer no meio do vazio entre eu e minha mente. A perna tremula e o barulho da faca se chocando com a minha pulseira é freqüente, eu cismo que tem que acabar logo, mas não consigo dizer não para os olhos delas.
Com certeza não é o meu nome que ela chama mais. Ela disse que está bem, eu discordo porque acho que ela ainda me ama. Sou um espantalho cinza no milharal negro, esperando aqueles corvos vermelhos saírem para o milho voltar a crescer e aquela donzela em azul reaparecer para eu ao menos vê-la uma ultima vez. As gotas vermelhas que caem do céu são grossas e eu estou rindo mais uma vez porque sei que daqui a pouco vai acabar, mas antes ainda vai arder bastante.
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