Existir


Não que faça realmente alguma diferença...
Mas eu não estou  aqui. De verdade não estou aqui, excluso de mim mesmo e de qualquer outra capacidade mental que venha a ter. Eu definitivamente não estou aqui. Este não é meu corpo, muito menos essa vida é minha. Cansei de sorrir por qualquer coisa, de achar que tudo é mais engraçado que o meu dia-a-dia rotineiro. Cansei de me iludir com a pedra no meio do meio fio. Tudo é entretenimento para aqueles que pouco se revelam em uma vida. Pois é isso que sou, pois é assim que me poluo e me povoo. Apenas o sofrimento tem a mim e eu a ele, com braços atormentados e trêmulos de uma angustia miserável que é desfeita de uma existência tão minguada no rio único de fios vermelhos.
Eu realmente não me sinto presente nesse espetáculo de palhaços e bestas sociais. Não me sinto presente com as inúmeras gargalhadas do meu dia e no intervalo de uma piada e outra. Cansado de morrer diante das risadas dos outros que me vêm ali. Sobrevivo dentro desse circo apenas sorrindo, já que sorrir é o remédio crucial para que não se encontre a insana depressão existencial habitada em pessoas tão diminutas como a minha alma que é devorada constantemente por meus imensos demônios.
Isto não chega a ser um desabafo, mas um relato. Um relato do que me tornei. De quem sou e para onde vou. De onde meus passos começam a se distorcer na vertigem luminosa espacial. Talvez seja o espaço em si a palavra que pode garantir que minha dor seja constatada e de certo modo compreendida, pois é ali que nos encontramos. No imenso vazio escuro. Eu e minha terrível infelicidade. Ligados em um velório eterno. Em seus inúmeros colapsos brilhosos de explosões emocionais, de risos radiantes que na verdade não significam nada mais do que a morte de uma estrela, que já não espera nada além de uma falsa retribuição constante de pseudo alegria.
Temos aqui o meu universo, destroçado e inútil, ampliado à letras caóticas e desesperadas tentando refletir toda minha angustia inanimada, imutável, apenas fazendo uma crescente cascata de frustração com tamanha impossibilidade de discrição com um alto nível comparativo. Aqui estou eu sendo engolidos por palavras que tento usar como boia neste mar universal de sofrimento e dor.
Logo eu que pouco me importaria em morrer... tenho a vida tão em conta aos olhos dos leigos sobre o que a dor significa. É engraçado como uma gargalhada tem tantos lado da mesma existência.
O abismo entre existir e não.

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