Morram pela paz


É apenas um dia a mais e não é um dia a mais, sou como todos e, como todos, também o sou taxado como qualquer coisa, até de tentar se forçar a ser o que é, mas nunca se é colocado ao lugar onde se está. Não estou para falar sobre coisa alguma sobre mim, mas sobre todos a minha volta, a irritação e irradiação descomunal que exalam dos seus toques e vozes. Quase como um concelho de quem aprecia o silêncio: Calem-se. Agora soa mais como uma reclamação, mas ainda é um concelho, pois já não me resta pele alguma, não me resta carcaça nenhuma ou qualquer outro desses escudos que você me diz que tenho. Tudo se acabou e sou apenas a carne viva sensível a cada toque e barulho que cria ao meu redor, a dor é incomum por si só, com tudo que foi arrancado de meu peito em meio aos dias de alegrias com aqueles olhos que me alegram um tanto. O fedor me é um tanto desagradável, mas não é daquele que sai do mofo que me tornei passando dias a fio sem contato com a humanidade e outros, mas o fedor que sua simpatia, alegria e curiosidade, todas cheirando ao perfume maldito comprado naquelas lojas caras com o sorriso que você pode mostrar sem esforço. Eu estou sensível... eu estou a fio nos últimos anos desde que nasci.
Não é preciso que fale, não é preciso que toque, faça você mesmo, descubra você mesmo, como eu fiz, como eu faço. O silencio que eu tanto aprecio indica exatamente que eu nunca precisei perguntar nada para ninguém, muito menos me balançar por aí a implicar. Meu desejo é o saudável silencio que nunca podes me dar exatamente porque se sente superior em sua magnifica posição social, quanto a mim que perdi tudo, quero apenas que cale-se enquanto eu aprendo mais e mais, não para que você venha me perguntar ou plagiar minhas respostas, já que o gosta de fazer, mas para se manter firme e entendido do que sou. Não sou inteligente, muito menos forte, apesar de ser os dois a mais que você para todo sempre, sou apenas um ser destruído e falho tentando sobreviver, mas ao meu ver, sua indignidade lhe permite se envergonhar diante de mim e se sentir superior com suas vozes e toques que tanto me atormentam.
Afinal, quero apenas declarar minha impaciência diante de pessoas como estas. Talvez eu seja um ser de espécie diferente, mas o silêncio é o dom que mais aprecio em toda minha vida, já que minhas derrotas me levaram a sentidos tão aguçados que a dor me é irritável. No final das contas, eu serei um tanto grosseiro por não viver no mundo que está acostumado a viver e serei nomeado rebelde eterno com as coroações de espinhos e cruzes pesadas. Garanto-lhe também que de nada adiantará seu choro e seus sorrisos, pois a mim, nada disso importa. Apenas desejo o silêncio e a privacidade de ler meu bom livro e escrever minhas histórias sem ser preciso sentir o desconforto da presença humana. Com sinceridade e singela humildade quando me rebaixo a um nível menor de humanidade para dizer que espero que todos morram, de verdade. Sem piadas ou metáforas, apenas que o mundo desabe, e que se meu sacrifício é preciso.. então que o seja.

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