Só
Que tenha sido por Felipe Farias em 7/31/2010 0 commentsVocê tenta pensar em algo feliz. Você até consegue, mas logo você pensa que está fazendo aquilo sozinho, sem ter um apoio, que está distante de tudo o que você queria...
Talvez esse seja o maior problema da minha vida: Falta de apoio.
Apoio moral. Apoio naqueles momentos que você só precisa de alguem pra te ouvir. Só pra dizer "tô aqui contigo, vai em frente!". Apoio pra falar que o que você está fazendo, por mais errado que seja, é legal!, é o melhor pra ti.
Daí me surge outro problema...
Ser solidário demais...
Acho que posso dizer assim, 'solidário'...
Eu apoio as pessoas...
Mas não recebo o mesmo em retribuição...
E eu acabo esperando que elas me dêem o mínimo de apoio, mas elas ignoram sua situação. Acham que é banal, que é passageiro.
...
É triste ser só...
P.S.: Tô bêbado, mas isso não torna o texto menos verdadeiro.
P.S2.: Percebi que não tenho a mesma habilidade poética do meu irmão... Mas foda-se.
Mãe Solidão
Que tenha sido por Wllan em 7/23/2010 0 commentsMe peguei pensando em alguém que está muito distante e acabei percebendo que todas pessoas estão muito distantes, o mundo já não gira em torno de mim e o frio aperta meu coração com as duas mãos. Me pergunto onde foi parar todo mundo. Onde foi que eu vim parar. A solidão tem uma sala enorme e escura. Meu corpo já nem se meche por vontade própria, deixo meus ossos quebrados e músculos pútridos para que o mestre dos fantoches me guie com aquelas mãos escuras e pequenas. A única paisagem que observo é o chão que tira toda minha percepção de vida ao meu redor e a sala enorme deixou o ar escapar tão rápido, ou foi o próprio ar que também está distante. Não sei aonde vim parar, o frio e o escuro da noite me aconchegaram no colo da solidão, que arrancou meu coração partindo-o ao meio. Também não sei onde ela foi parar. Espero na beira da praia o barco dela se aproximar, mas eu e meu mundo não brilhamos mais.
As vezes acho que foi apenas algumas horas e ela logo vai voltar. Mas a solidão cochicha no meu ouvido quantos anos se passaram e acaricia meus machucados. A cicatriz é grande e longa. O frio a faz arder me lembrando do dia em que pulei do prédio. Os ossos quebrados também gritam, o nome parece o dela, mas a dor as vezes engana meus ouvidos que, apodrecidos, não identificam alguns sons que costumavam ouvir quando ela ainda olhava para mim sorrindo. O desconhecido me leva para ruas onde as mulheres passam, todas essas mulheres são elas, mas nenhuma delas é ela. Mais confuso fico com o tempo, os olhos velhos e secos observam o andar e o sorriso dela em imagens nas árvores. Sentado ali eu espero meus velhos amigos voltarem ou novos aparecerem. Mas o ar só some e as imagens que meu cérebro produzem ficam só na imaginação que se torna quase fértil no ponto em que cheguei.
A piscina é funda e eu não vou voltar a tempo. O ar vai sumindo assim como as imagens. Eles não me querem mais. O desespero bate e meus ossos quebrados pensam em se debater, a dor aguda começa quando eu faço esforço pra abraçá-la na minha frente. Meus amigos estão voltando. E eles jogam flores encima do meu corpo. Minhas lágrimas são invisíveis enquanto se misturam na água com cloro, até mesmo o escuro está indo embora. A solidão partiu deixando o rastro de agonia naquela última bolha que sobe pra superfície enquanto o cérebro vai apagando.
O Chocolate Que Deve Ser Esquecido
Que tenha sido por Wllan em 7/20/2010 0 commentsPercebo que é preciso mais do que o que posso fazer para esquecê-la. É preciso ser alguém que nunca serei enquanto o rosto dela formado a frente dos meus olhos diz que aquilo é só uma lembrança e ela não vai voltar. Ainda como o chocolate que perdeu o gosto e, amassado, não me agrada como antes. O gosto doce não vinha do chocolate e sim do jeito que ela me tratava enquanto sorriamos com brincadeiras. Sabia que seria mais uma noite que não dormiria e a esperaria sem ter volta. São muitas as fotos que eu tenho na memória e pouca a vontade de continuar. O chocolate fica cada vez mais difícil de ser engolido enquanto, derretido escorrega pela minha mão acompanhado das gotas que escorregam sobre a maçã de meu rosto.
O desejo de rever os olhos brilhantes com aqueles pequenos defeitos na face são maiores que minha força de vontade, luto para desistir, mas sei que não é o suficiente. Me rendo ao vazio do outro lado do sofá. Me abraço à ausência de vida enquanto o resto do chocolate escorre no chão. Não posso mais ouvi-la dizer que me ama, não posso mais dizer o quanto a amo ou ouvi-la cantar desafinadamente. Temo que o vazio me mate, mas o frio absoluto que derrete o chocolate é o que tenho agora sentado nessa sala com o rosto molhado.