Se sentir sozinho é horrivel... Se sentir longe de companheiros, amigos, irmãos...
Você tenta pensar em algo feliz. Você até consegue, mas logo você pensa que está fazendo aquilo sozinho, sem ter um apoio, que está distante de tudo o que você queria...
Talvez esse seja o maior problema da minha vida: Falta de apoio.
Apoio moral. Apoio naqueles momentos que você só precisa de alguem pra te ouvir. Só pra dizer "tô aqui contigo, vai em frente!". Apoio pra falar que o que você está fazendo, por mais errado que seja, é legal!, é o melhor pra ti.
Daí me surge outro problema...
Ser solidário demais...
Acho que posso dizer assim, 'solidário'...
Eu apoio as pessoas...
Mas não recebo o mesmo em retribuição...
E eu acabo esperando que elas me dêem o mínimo de apoio, mas elas ignoram sua situação. Acham que é banal, que é passageiro.
...
É triste ser só...
P.S.: Tô bêbado, mas isso não torna o texto menos verdadeiro.
P.S2.: Percebi que não tenho a mesma habilidade poética do meu irmão... Mas foda-se.

Mãe Solidão


Me peguei pensando em alguém que está muito distante e acabei percebendo que todas pessoas estão muito distantes, o mundo já não gira em torno de mim e o frio aperta meu coração com as duas mãos. Me pergunto onde foi parar todo mundo. Onde foi que eu vim parar. A solidão tem uma sala enorme e escura. Meu corpo já nem se meche por vontade própria, deixo meus ossos quebrados e músculos pútridos para que o mestre dos fantoches me guie com aquelas mãos escuras e pequenas. A única paisagem que observo é o chão que tira toda minha percepção de vida ao meu redor e a sala enorme deixou o ar escapar tão rápido, ou foi o próprio ar que também está distante. Não sei aonde vim parar, o frio e o escuro da noite me aconchegaram no colo da solidão, que arrancou meu coração partindo-o ao meio. Também não sei onde ela foi parar. Espero na beira da praia o barco dela se aproximar, mas eu e meu mundo não brilhamos mais.

As vezes acho que foi apenas algumas horas e ela logo vai voltar. Mas a solidão cochicha no meu ouvido quantos anos se passaram e acaricia meus machucados. A cicatriz é grande e longa. O frio a faz arder me lembrando do dia em que pulei do prédio. Os ossos quebrados também gritam, o nome parece o dela, mas a dor as vezes engana meus ouvidos que, apodrecidos, não identificam alguns sons que costumavam ouvir quando ela ainda olhava para mim sorrindo. O desconhecido me leva para ruas onde as mulheres passam, todas essas mulheres são elas, mas nenhuma delas é ela. Mais confuso fico com o tempo, os olhos velhos e secos observam o andar e o sorriso dela em imagens nas árvores. Sentado ali eu espero meus velhos amigos voltarem ou novos aparecerem. Mas o ar só some e as imagens que meu cérebro produzem ficam só na imaginação que se torna quase fértil no ponto em que cheguei.

A piscina é funda e eu não vou voltar a tempo. O ar vai sumindo assim como as imagens. Eles não me querem mais. O desespero bate e meus ossos quebrados pensam em se debater, a dor aguda começa quando eu faço esforço pra abraçá-la na minha frente. Meus amigos estão voltando. E eles jogam flores encima do meu corpo. Minhas lágrimas são invisíveis enquanto se misturam na água com cloro, até mesmo o escuro está indo embora. A solidão partiu deixando o rastro de agonia naquela última bolha que sobe pra superfície enquanto o cérebro vai apagando.

O Chocolate Que Deve Ser Esquecido


Sentado na sala, comendo chocolate, escorreguei para a outra ponta do banco. O teto parecia familiar com aquelas manchas cinzas. O rosto dela se formava conforme eu me despedia de um pedaço de chocolate. As cores ficavam mais fortes enquanto eu lembrava das vezes que ela sorria e soprava beijos para mim. O tempo parecia curto enquanto eu vivia uma vida, o ar me faltava quando via o rosto dela indo embora. Não lembro se quer o nome dela, mas é ela quem me faz querer sentir de novo o gosto do chocolate. O paladar fica doce e eu olho pro meu lado, me revolta quando não a vejo. Percebo que estou sozinho, meu rosto se cora envergonhado das coisas que fiz para que ela partisse da minha lembrança. A luz dentro da sala é fraca e o sofá me aconchega nos braços dela. Eu prefiro não olhar para os lados sabendo que não a verei. Com meus olhos fechados parto para outra dimensão onde eu corro pelo campo. Sei que ela não está do meu lado e meu caminho é longo, mas prefiro fingir que seguro a mão dela. Sua mão fica mole, lembro de ser macia e suave, lembro dos seus dedos pousado nos lábios. O papel amassado e o chocolate batido escorregam aos poucos pela minha mão, meus olhos se abrem com uma gota correndo meu nariz, de novo o vazio do sofá invade meus olhos.
Percebo que é preciso mais do que o que posso fazer para esquecê-la. É preciso ser alguém que nunca serei enquanto o rosto dela formado a frente dos meus olhos diz que aquilo é só uma lembrança e ela não vai voltar. Ainda como o chocolate que perdeu o gosto e, amassado, não me agrada como antes. O gosto doce não vinha do chocolate e sim do jeito que ela me tratava enquanto sorriamos com brincadeiras. Sabia que seria mais uma noite que não dormiria e a esperaria sem ter volta. São muitas as fotos que eu tenho na memória e pouca a vontade de continuar. O chocolate fica cada vez mais difícil de ser engolido enquanto, derretido escorrega pela minha mão acompanhado das gotas que escorregam sobre a maçã de meu rosto.
O desejo de rever os olhos brilhantes com aqueles pequenos defeitos na face são maiores que minha força de vontade, luto para desistir, mas sei que não é o suficiente. Me rendo ao vazio do outro lado do sofá. Me abraço à ausência de vida enquanto o resto do chocolate escorre no chão. Não posso mais ouvi-la dizer que me ama, não posso mais dizer o quanto a amo ou ouvi-la cantar desafinadamente. Temo que o vazio me mate, mas o frio absoluto que derrete o chocolate é o que tenho agora sentado nessa sala com o rosto molhado.
 
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