Meio verdadeiros.


É um pouco estranho o modo como fui sucumbido ao estado de escravo do amor. O modo como passei a observar a estrutura dos teus atos e passei a ignorar os detalhes da vida alheia, que até alguns dias antes de te conhecer de verdade pareciam tão mais interessantes do que viver minha própria vida.
Esse meio beijo que você me dá, esse meio toque que pesa contra minha pele, esse meio abraço que me conforta, esse meio você que me rodeia e sufoca com as imagens de nós dois em um dia chuvoso.
Essa vontade de não te largar mais sem nunca ter te pego nos braços de verdade. Me atormenta até ouvir tua respiração por perto, o calor da tua pele tão próximo que o cheiro do teu shampoo afoga meu pulmão em uma pneumonia de prazer mórbido, esqueço até de bombear oxigênio para o cérebro e em segundos vou de um frio intelectual para adolescente irritante, rastejando a alma que me restou para tuas meias cantadas que chegam aos meus ouvidos com impacto anormal até mesmo para os deuses que habitam teus cachos que param suas danças ao redor de fogueiras para ver meu encanto abobado quando você passa pela vila dos mortais.
Os elfos que perseguem teu brilho não são páreos para acompanhar a velocidade a confusão que você me trás no meio fluxo de sentimentos que você faz questão de transmitir. É perdido em teus encantos e desencantos que eu abandonei a solidão e carência para o ninho de anjos no teu colo.
Lá estou eu, poluindo as ramificações do paraíso que você montou nesses últimos anos. Não é difícil ver nossos lábios se encontrando, nossas mãos se aproximando, nosso peito arfando só de estarmos um do lado do outro. Tudo nesse meio de meios que eu tenho sem nunca poder usufruir. Esse amor negado por nós mesmos diante de uma cadeia de dnas não resolvidos, seres distorcidos, dos quais você os chama pelo nome, surgem sem o menor pudor, destruindo toda a ilusão que criamos, todo o casamento de mentes que podemos criar apenas observando um ao outro.
Não da para contar quantas vezes já te vi olhando para mim, até mesmo porque estamos sempre nos olhando, mesmo quando nos forçamos não gostarmos um do outro, estamos ali, encarando um ao outro diante do abismo de vida que levamos, desejando de algum modo pularmos juntos e dar as mãos no meio do caminho para em fim nos completarmos, mas lá está você com tuas criaturas, lugar do qual nunca deveria ter entrado, dando meio que um olhar para mim, que estou no teu habitat natural, te esperando e sabendo que você não vai vir, mesmo que tenha imensa vontade.
O vento gelado após o toque ardente do teu corpo nu, já me perdi a muito tempo nesses teus climas meio verdadeiros.

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