A bela moça do bar


Provando a teoria de Bukowski, aqui estou eu me masturbando apos beber todas em um bar e perder a coragem de chegar na mais bela presente.
Estou aqui, mais uma vez, deixando um onda de choque e graça percorrer meu corpo, uma breve sina que sobe da parte mais intima de meu corpo, prazer que loucamente ocupa meus membros em um ar inútil. Um leve choque que entorpece minhas memorias e as principais funções biológicas. Sinto meu corpo se encher diante de toda essa ardência, inflando ainda mais minha inexistência momentânea de coexistir com minha alma, que já nem sei mais onde deveria estar.
Não que seja algo realmente valioso, mas cada centímetro se esvaindo para fora da minha realidade rotineira, contemplando um clímax completo e por inteiro. Dinamicamente proporcionado para meu corpo, já sem forma diante da adrenalina que me consome. Prefácio de uma peça fabulosa que logo vai ocorrer em meu pequeno corpo.
Contemplo diariamente a condenação previa de uma falta de locomoção e ausência de som dentro da barulheira, uma existência tão pobre de conteúdo como é rica em poluição da própria vida. O veneno de ter nascido, simplesmente, sem reticências ou oração composta. O veneno do nascimento. Mas cá estou. Atribuindo a esta dolorosa existência o doce sabor do prazer de esquentar meu corpo com o pensamento, atribuir a toda deformidade social um único toque mágico que me atribui a um consolo tão inevitável. Dormiria em teus braços, oh! Solidão, minha pequena e doce amada. Contribuindo para um fim eminente do qual sinto esvair toda minha masculinidade diante de um reflexo tão instintivo.
Aqui estou, idolatrando minha amada morte, sentindo finalmente os efeitos. Vejo o jato que corre, ele é belo, ele é vida.
Minha vida se manifestando e sendo expelida por meus pulsos. Sentindo toda aquela adrenalina subir em fervor para o cérebro. Todo o líquido vermelho, em jatos, sendo expelido por meus pulsos. Um leve movimento instintivo de sobreviver à vida. Era tudo que se precisava para mim. Bukowski estava certo sobre a bela mulher, estava completamente certo. E aqui estou eu, em mais uma tentativa de encontrá-la, mais uma tentativa de tocá-la e ter seus firmes seios em minhas mãos. Aqui estou indo de encontro a pequena luz que reflete na banheira já com a água escura com a minha vida inteira. Eu esperaria a minha vida inteira rolar em um filtro diante dos meus olhos, mas ela é bela de mais para pensar em outra coisa.

Existir


Não que faça realmente alguma diferença...
Mas eu não estou  aqui. De verdade não estou aqui, excluso de mim mesmo e de qualquer outra capacidade mental que venha a ter. Eu definitivamente não estou aqui. Este não é meu corpo, muito menos essa vida é minha. Cansei de sorrir por qualquer coisa, de achar que tudo é mais engraçado que o meu dia-a-dia rotineiro. Cansei de me iludir com a pedra no meio do meio fio. Tudo é entretenimento para aqueles que pouco se revelam em uma vida. Pois é isso que sou, pois é assim que me poluo e me povoo. Apenas o sofrimento tem a mim e eu a ele, com braços atormentados e trêmulos de uma angustia miserável que é desfeita de uma existência tão minguada no rio único de fios vermelhos.
Eu realmente não me sinto presente nesse espetáculo de palhaços e bestas sociais. Não me sinto presente com as inúmeras gargalhadas do meu dia e no intervalo de uma piada e outra. Cansado de morrer diante das risadas dos outros que me vêm ali. Sobrevivo dentro desse circo apenas sorrindo, já que sorrir é o remédio crucial para que não se encontre a insana depressão existencial habitada em pessoas tão diminutas como a minha alma que é devorada constantemente por meus imensos demônios.
Isto não chega a ser um desabafo, mas um relato. Um relato do que me tornei. De quem sou e para onde vou. De onde meus passos começam a se distorcer na vertigem luminosa espacial. Talvez seja o espaço em si a palavra que pode garantir que minha dor seja constatada e de certo modo compreendida, pois é ali que nos encontramos. No imenso vazio escuro. Eu e minha terrível infelicidade. Ligados em um velório eterno. Em seus inúmeros colapsos brilhosos de explosões emocionais, de risos radiantes que na verdade não significam nada mais do que a morte de uma estrela, que já não espera nada além de uma falsa retribuição constante de pseudo alegria.
Temos aqui o meu universo, destroçado e inútil, ampliado à letras caóticas e desesperadas tentando refletir toda minha angustia inanimada, imutável, apenas fazendo uma crescente cascata de frustração com tamanha impossibilidade de discrição com um alto nível comparativo. Aqui estou eu sendo engolidos por palavras que tento usar como boia neste mar universal de sofrimento e dor.
Logo eu que pouco me importaria em morrer... tenho a vida tão em conta aos olhos dos leigos sobre o que a dor significa. É engraçado como uma gargalhada tem tantos lado da mesma existência.
O abismo entre existir e não.
 
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