O dia que falhei.


A leveza da plumagem suave que os meus braços cobrem em um terno abraço amoroso são frutos da imaginação doentia causada pela solidão que devora cada gota de meu sangue de tal forma que nem mesmo o fogo ardente das histórias maravilhosas que ouço conseguem de fato esquentar. Com um ar gélido soprando da janela que estava aberta, meu quarto parecia, não o inferno, mas a própria ausência de vida, luz e calor. Minhas mãos frias que tremem eternamente pelo sofrimento que foi causado ao meu coração que, apesar de impuro, sempre a tratou com tanto carinho e paixão, eu vi todas as suas cores naquele momento em que deitado a minha cama, uma lágrima escorria pela densa camada de carne fundida com o tecido do meu travesseiro manchado de sangue. Sangue que nunca saiu de minha pele, mas jorrou entre meus sentimentos. Sangue que nunca foi visto por mais ninguém além de mim. Sozinho no meio de tantos, eu peço ao menos mais uma vez que meu coração se torne leve, peço que pelo menos uma vez, um único segundo, todo peso que transportei para a minha situação atual se dissipe e me deixe mais uma vez voar como voava quando jovem. A ardência na minha garganta desce até meus rins. Dói um pouco e o gosto é ruim, mas eu sei que quando acabar eu não sentirei mais nada. Como um toque de recolher que soa ao longe, eu ouço sua voz vinda do além destruir minha mente tão pequena. Eu vejo todos seus desejos e todos seus defeitos passarem entre meus olhos. Minha maior raiva é ver aquele rosto que era tão próximo ao seu quando eu me deleitava em seu colo. Lembrei que os seus lábios finos nunca encontraram os meus e sim o daquela figura complexa que nunca entendeu o quanto eu te amei.
Eu sei que meu coração está fraco, sei que é preciso de mais um pouco para que ele pare, então farei isso como deve ser feito, sem dignidade e sem honra. Cuspindo aquilo que comi toda minha vida, vomitando todos sentimentos que tenho por você na cara dos que me rodeiam, sei que nenhum deles entende porque faço isso e muito até acham que não o planejei. Mas a minha morte foi muda, sem vexames, sem vergonha... apenas deitado junto da areia que me abraçava com o vento gelado que vinha do mar. Deitado naquela cama de areia e deitado na cama do meu quarto. Tão diferentes, porém tão iguais. Sentindo o abraço do vento frio, sentindo o abraço da escuridão que aos poucos escurecia minha visão perturbada pelo álcool.

Escuridão suprema.

O momento em que eu deixei de existir. Não foi como um sono profundo, não vi luzes, não vi nada. Apenas deixei de existir e não queria mais voltar, o vazio tomando conta de todo o meu corpo, o silencio tomou conta de tudo. Minhas preocupações sumiram, meus pensamentos ruins não eram mais ruins, meu corpo pútrido não sentia mais dores, o doce e esplendido puro morrer. Então... aquele mar veio até minha existência, o frio eminente voltou ao meu corpo e eu chorei, chorei para poder continuar no estado que eu deveria permanecer, o estado que é meu por direito, o estado em que ninguém poderia me tirar. E ali, no mu leito, ninguém esta comigo. A obrigação de poucos mantinha alguns pares de olhos em mim. Que deitado na minha cama sentia toda aquela dor voltar. Olhos lacrimejando por eu ter voltado, olhos lacrimejando de felicidade por terem conseguido destruir mais de mim. Olhos que choravam agora de alegria, cantando e pulando por eu ter que sofrer mais. Meus olhos miúdos e chocados mal se mantinham firmes com todas aquelas agulhas em meu braço, sei que fizeram de tudo para eu sentir mais dor e plenitude. Sei que ninguém entenderá a minha dor, pois eu não sou como um homem. Não sou como uma mulher. Eu não sou nada. Nada além de nada. Coração dolorido e abandonado. Mas a primeira coisa que pensei foi em você... você que não me quer mais, você que me matou, você que nunca mais vai voltar. Hoje não importa, aquele dia não importa. Eu já morri quando tiraram você de meus olhos.

Antes de Criticar Leia


Os julgamentos críticos são baseados em meras especulações verbais contra seres que não cometem erros. Enquanto as pessoas fecham seus olhos para apontar o dedo para os seres de coração. Ouvindo sua voz e observando suas atitudes, mas esquecendo de ver os olhos tristonhos que por de trás de tanta violência bruta chora um canto mudo. Ordinário método social de se envolver com alguém que já sofreu tanto. A facilidade de quebrar aquilo que está rachado é o dom dos que se acham mais poderosos no meio das crianças, quebram minhas pernas, distorcem minha musica e pisam em meu coração que nunca foi bem cuidado na mão das pessoas. Quando me recuso ao chamado de socorro, quando choro sozinho o meu peito cortado ou quando me encubro de palavras afiadas e roupas negras sou ameaçada com a dadiva da amizade. Amizade essa que não acorda em meu peito, apenas fingindo a emoção de ver as pessoas sorrindo, fingimento que é preciso fingir até sangrar para que alguém pare e não dê a mínima. Crescendo ao som das afiadas facas criticas que penetram em meus pulmões.
Minha dor imita a linha vermelha que surge aos poucos no meu peito e logo vai abrindo espaço para um mar vermelho que decai como uma cachoeira. Meu estado perante suas atitudes são vulneráveis... porem retardadas. Como a gilete que enfio no meu órgão respiratório, o ar me falta aos poucos enquanto ouço bolhinhas estourarem dentro de mim, como se meu sangue fervesse ao ódio que já foi tão remoído e cultivado. As palavras soam doce ao rei da sociedade que destrói minha musica principal sem piedade ou remoço. Meu peito arde pare que minhas palavras não ardam tua cabeça.

O instinto é falho quando lhe contam mentiras e você consome toda minha alma. Toda noite desejo te ver, toda noite chego mais perto de reencontrar minha cabeça decapitada. Espero que lá onde me leve as cicatrizes sumam... Pois meu corpo nu é horrendo como o inferno que causaram a mim para que eu tirasse meu próprio sangue com meus próprios esforços. A culpa não aflige a nenhum dos carrascos que me tornaram o que sou, porque eles são os reis da sociedade. Privados de sentimentos nobres, com fome de luxuria e de conquistas graduais. Meu mundo inteiro foi consumido por essas pessoas. Meu mundo inteiro foi acabado e ruinado por pessoas como essas. Nem meu corpo necrosado consegue esconder a feiura que trago na memória de vocês se traindo. A falsidade, a incoerência, a indisciplina e a maldita ordem de sistema social. Meu erros são baseados em suas atitudes, meus erros são baseados em seus acertos para me estragar. Não sou uma revolta, eu sou a sua maior criação. Sou todas musicas distorcidas, sou todas pernas quebradas, sou todas mentiras contadas. Esse corpo necrosado é o que você é por dentro se refletindo em todas pessoas que magoa. É todo ódio que pessoas como eu sentem por causa de pessoas como você. Não lhe levarei para o inferno comigo, não lhe darei esse sabor. Vocês viverão como heróis, morrerão como heróis, mas nunca sentiram o sabor de ser alguém de verdade. Nunca sentiram o sabor de cuidar de uma criança. Esse tipo de pessoa é o tipo de pessoa que aborta. É o tipo que luta contra o aborto, mas ao primeiro defeito abortarão os pobres inocentes. Esse corpo necrosado é o filho de pessoas como essas.
 
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