Explicações pós Trauma


No meu leito de morte eles irão te ligar. Todos chorarão a morte de um ser que a maioria ignora a existência. Mas as lágrimas caídas enquanto escrevia isso, acredite, são mais dolorosas que qualquer outra perda de alguém querido. A dor de saber que a pessoa está ali, e você só poder ficar olhando ela por de trás dos arbustos com olhos vermelhos. Já faz tempo que a noite se tornou tão insignificante quanto as coisas que faço no dia a dia. Eles te mostrarão essa carta enquanto dirão palavras bonitas sobre como eu era, você acreditara, mas no fundo nós dois sabemos a vida podre que levei com homens maus em lugares escuros, sangue jorrando de cálices de ouro e as palavras bonitas que estavam totalmente sujas. A ilusão pela que passei foi maior do que a que impus em teus olhos negros que me diziam sempre que eu estava errado. A doença da vida me mata de vagar e é dolorosa com suas variações, o que vive tornaria qualquer homem bom em um ser maligno. Talvez eles tenham piedade e eu poça realizar meu último pedido, mas pelo que entendo de você, estou desejando o impossível. Vão lhe mostrar todas as mensagens e imagens que tenho guardadas sobre você, vai demorar um pouco, mas você vai entender que todo o resto também era sobre você. A doença afeta meu psicológico e depois passa para meus nervos. Acredite, pequena, a dor é grande, mas eu grito calado, em silencio, como sempre fiz. Você não acredita e eu não vou mentir, nunca amei a primeira vista, custei a entender que era você quem eu queria e não os jogos e mistério das pessoas ao seu redor. Mas não sou acostumado, te ver sorrindo com outro me dói, principalmente quando ele quem é o cafajeste e não eu. Detalhes que você nunca quis tentar entender, o que via era suficiente enquanto uma historia sofrida corria atrás da máscara de um homem manipulador e cruel, do manto do abominável monstro que habitava um corpo nu. Dói tanto que algumas vezes esqueço-me de como ajeitava o cabelo, mas aquele sorriso eu nunca esqueço. Ele sumiu com o tempo, agora você esta seria. Eles estão de preto e te encaram antes de contar o que aconteceu enquanto você diz que meus assuntos não te interessam mais. A maioria fica apavorada com suas revelações e você ficara preocupada depois, mas nós dois sabemos que não fui um príncipe encantado e nem vivi em um belo reino. A masmorra era meu jardim na casa das espadas cancerígenas.

Como eu queria te contar o que realmente aconteceu, mas eu errei ainda no meio de tanto drama, não consegui acertar onde mais dizia querer errar. Nenhuma das outras pessoas foi melhor do que o meu namoro imaginário com você, nada real foi capaz de superar a nossa surrealidade nos momentos mais complexos, nada certeiro foi capaz de ser melhor do que a indefinição pela qual passei contigo. Eles continuam chorando enquanto você faz aquela cara de mal. E é no meu leito de morte que eu vou desejar te ver. Quando eu ver aquelas pequenas luzes no teto do hospital e eles disserem que haviam se enganado e que agora era tarde. E eles tem razão sobre isso... não é mais benigno, agora é tarde mais para diagnosticar, esperemos a morte chegar, assim podemos remexer na carcaça e revirar o lixo interno até encontrar aqueles homens maus, as entidades modernas de tempos antigos, os figuras macabras e as mulheres chorando.

Como disse uma vez: Esse não sou eu. Esse é o monstro que eles criaram para devorar a sociedade.

Mas eu ainda estou aqui dentro e sou mais humano do que os próprios e a dor é arrebatadora. Não adianta liga, nem mandar cartas, nem fazer belos cartões. A imagem já ficou com um rastro de história esfumaçada em ruínas. Os dias que o sono não veio foi apenas por causa das lembranças que guardei de você me dizendo todas aquelas coisas. E os doces que cobriram o lixo da minha vida quando eu te encontrei de verdade, todos esses doces eram você. Todas as figuras se fundiam se tornando apenas um único homem, um único homem sem nome e sem saber o que fazer. Mas quando você saia ele voltava a ter os tantos nomes e caras, trazendo a morte e perturbação. As dores estão mais forte hoje depois das quase setenta e duas horas acordado. Quem sabe o que vai ser de nós dois daqui pra frente. O livro de romance sem capa termina aqui, ao menos é o que parece daqui do meu leito de morte. No passado fomos muito longe um pelo outro e nos afastamos toda vez que os olhos se encontravam. Talvez eu tivesse medo, talvez eu só não sabia, ou ainda, talvez eu só não entenda. Mas eu lembro e tento só lembrar dessa parte da minha vida, sem sombras passando por trás de casa, sem xingamentos e socos, sem algo pra reclamar. É só dessa parte que quero lembra, da parte que se resume em você. Sei que acabou. E acabou com um fim sem sentindo e sem muito o que fazer, acabou da maneira mais estranha quando eu estava tentando aceitar o meu eu dentro do monstro. Basicamente só quero dizer que te amo de verdade e que quero que meus, mesmo que pouco, últimos anos sejam vivendo o mesmo que você.

Estado Simples e Vazio


Abandonado pela própria ilusão de viver uma vida descente em um mundo indecente, escravizado por escravos de um sistema inventado por um escravo. Procurando as curvas nas retas que apontaram para procurá-las. Já estou perdido e cansado da poeira que entra nos meus olhos em dias tão úmidos. É fácil achar uma estrela daqui onde estou. O vazio é simples e acaba com minha forma, me desfigurando cada vez mais e mais. Minha imaginação vazia nem sabe mais onde começa a realidade que é igualmente vazia. São as musicas estranhas que me fazem lembrar de que tem algo errado com aquilo que eu não sou. E são as musicas que os outros ouvem que me fazem ver que eu sou o que acho que sou. É quando ninguém liga para ela com aquela voz depressiva, os bons amigos se foram e a melhor amiga nem ouviu o meu choro atrás da porta. É fácil ver quando tem algo errado, o barulho do telefone desligado no meu ouvido é bem claro e é o único que me diz a verdade. O vinho era só pra acalmar, mas a verdade é que dói tanto e o álcool faz o cérebro parar de funcionar, não consigo mais parar. Eu queria parar de sangrar, mas a dor é tão aconchegante e faz o cérebro parar de funcionar. E a voz dela é tão bonita, pena que o telefone está desligado me sucumbindo ao espaço vazio entre nós dois. O nome dela já faz tanto efeito que meu coração nem bate mais quando alguém o diz. As vezes penso que sou desafortunado, mas aí lembro que um dia já tive ela em meus braços, e, por vez, lembro que ela foi embora, que a vida infeliz que eu vejo passar na tela de um computador, que só mostra os momentos felizes, é minha.

Quanto mais eu vou ter que esperar por ela. Ela disse que nunca mais iria voltar, eu tento não acreditar e ainda espero ela chegar, minha esperança de ver mais uma vez o sorriso dela aparecer no meio do vazio entre eu e minha mente. A perna tremula e o barulho da faca se chocando com a minha pulseira é freqüente, eu cismo que tem que acabar logo, mas não consigo dizer não para os olhos delas.

Com certeza não é o meu nome que ela chama mais. Ela disse que está bem, eu discordo porque acho que ela ainda me ama. Sou um espantalho cinza no milharal negro, esperando aqueles corvos vermelhos saírem para o milho voltar a crescer e aquela donzela em azul reaparecer para eu ao menos vê-la uma ultima vez. As gotas vermelhas que caem do céu são grossas e eu estou rindo mais uma vez porque sei que daqui a pouco vai acabar, mas antes ainda vai arder bastante.

Pai, Sai Da Cama


Hoje em dia eles exigem respeito pelos seus filhos. Pessoas dignas e de respeito que se ajoelham aos seus pés pedindo-lhes que os respeitem. Pequenos filósofos com uma mente extremamente pequena e com pouca alegria na vida. Exigem que você os respeite mais que tudo. Eles te criticam quando você é assaltado, te negam quando é estuprado, te menosprezam enquanto você chora no seu quarto. Incompetentemente você tenta respeitá-lo esperando aquele sorriso fosco e sem graça seguido de um curto abraço, mas não. Eles querem mais e mais respeito, querem que você os respeitem enquanto está sendo morto aos poucos por simples e minúsculas facas caseiras, tentando fugir desse ciclo vicioso acabamos lambendo as enormes feridas no braço que não ajuda, porque ainda é criticado por isso. Levante o punho e grite em peito aberto que quem quer respeito é você, que eles merecem respeito antes mesmo de pedirem, é como estar assinando o seu assassinato social. Hipócritas caseiros, nascidos e criados por uma família tão hipócrita quanto o mesmo. Hipócritas criando, atualmente, pequenos demônios perturbados, monstros indignos de qualquer atenção. Seres cruéis que nasceram para se vingar dos adultos que agora pedem para serem crianças, e em vão eles acabam matando todas as crianças. Esperança escondida em um buraco fundo de puro desprezo e arrogância de uma mente minúscula e nazista que luta com os miúdos apenas para criar uma nova e pura raça de adultos. Os cegos riram de mim quando apontei o dedo para eles, a luz cegou uma boa parte das crianças que se rebelam contra inimigos invisíveis esquecendo o primeiro e único inimigo das mentes livres e doentias, que são tão puras e infantis como uma menina dançante, esperando o grande som de uma guitarra pura que faça barulho. Perdidas na identidade da escravidão de um sistema hipócrita vinda de infelizes pais que correm essas mentes. Os miúdos estão voltando. É preciso muito mais que a voz de uma bela moça ou as cores do arco-íris, porque as crianças estão se matando pelas simples exigências de perfeição de pais inúteis. Procurando liberdade nas correntes da hipocrisia de um grupo anti-social, formando sistemas anti anarquistas, exigindo que os outros deixem de exigir e gritando com os brigões. Crianças que aparecem com sangue nas pernas e choram com correntes nos braços são criticadas pela sua incapacidade. Pequenos que se escondem da sociedade que os correm a mente são criticados pela sua inutilidade. É preciso mais do que um beijo, é preciso mais que um abraço. É preciso ser quem é.

Entrem na fila para o mundo dos hipócritas. Lá todos são descartáveis e você pode derrubar quantos quiser. A vingança é feita de dentro do prato dos porcos, assassinem os respeitosos seres em seu próprio mundo e suas próprias leis. Respeitem suas mortes enquanto envenenam os cachorros que sabem falar alto. Peça desculpas quando ela pedir para fazer isso, mas use a mesma faca que ela usa para cortar a carne. Eduquem-se com o rancor de vive ruma vida com respeito aos outros. Seja o que teme.

Mate o padre da igreja enquanto abaixa a cabeça e sorri de seus sermões especiais para você. Atire nos garotos que te batem enquanto você da gargalhadas de seus supostos socos que agora não doem mais. Arranque o cabelo das garotas enquanto ri das piadas sujas delas que não tem mais graça. Saiam do sistema determinado quando eles te estupraram, sorria quando se lembrar da mão do seu parente no seu rosto. Se cale quando os cintos te atingirem com força. Faça o inusitado que ninguém espera. Quebre a perna do primeiro e do segundo, deixe o terceiro passar porque tem algo que te atrai. Aceite sua humanidade e brinque de ser humana enquanto ri dos porcos no próprio mundo hipócrita deles.

 
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