Eu estava tendo um dos melhores dias da minha vida. Mas simplesmente fui abandonado. Jogado no lixo, descartávelmente. Amanhã é uma data especial pra mim... Mas eu realmente não consigo me importar... Não entendo essa vontade de sumir. Vontade de simplesmente não sentir mais nada. Queria ter todos meus amigos mortos de volta. Queria cada um deles junto de mim, mas dói. Não consigo me concentrar. Queria receber um abraço. Mas a solidão é fria. Com seus braços pequenos não me abraça... Mas hoje eu a vi. Estava formosa com suas roupas elegantes. Mas eu estava na sombra de uma árvore com minhas roupas esfarrapadas. Ela passou direto. Foram os melhores momentos da minha vida talvez. Mas ela se foi sem olhar para trás. Apelei! Pedi de joelhos que voltasse! Mas ela, brilhante como sempre, olhou pra trás e sorriu. Não à vi mais... Talvez amanhã ela volte. Vou sentar de novo naquela árvore e esperar que ela arranque minha cabeça com sua foice.
Talvez precise de um ou dois remédios pra controlar minha dor. Seria bom ser frio como o inverno e forte como o verão. Agora essa garota... Alegremente me rendo em seus braços. Talvez ela me entenda. Ela segurou minha mão... andamos de mãos dadas o dia todo, mas ela precisa ir, sempre precisa ir, quando ela sair daqui... Eu vou morrer. Mas eu não consigo morrer. Me recuso a não te-la, mas ela se recusa a me ver. Talvez eu não exista. Talvez eu seja imaginário. Ela chama meu nome e diz que me odeia. Ela me da um beijo e nunca mais olha no meu olho... Talvez eu seja mesmo imaginário... Não devo ser real... Ela não acredita em mim. Eu não existo.
Agora entendo porque a adorável dona do foice me rejeita. Ela também me odeia. Mas essa dor? Isso não é real? Se não sou real por que tenho que passar por tudo isso? Nada mais importa, mas ainda dói.