Estou aqui, mais uma vez, deixando um onda de choque e graça percorrer meu corpo, uma breve sina que sobe da parte mais intima de meu corpo, prazer que loucamente ocupa meus membros em um ar inútil. Um leve choque que entorpece minhas memorias e as principais funções biológicas. Sinto meu corpo se encher diante de toda essa ardência, inflando ainda mais minha inexistência momentânea de coexistir com minha alma, que já nem sei mais onde deveria estar.
Não que seja algo realmente valioso, mas cada centímetro se esvaindo para fora da minha realidade rotineira, contemplando um clímax completo e por inteiro. Dinamicamente proporcionado para meu corpo, já sem forma diante da adrenalina que me consome. Prefácio de uma peça fabulosa que logo vai ocorrer em meu pequeno corpo.
Contemplo diariamente a condenação previa de uma falta de locomoção e ausência de som dentro da barulheira, uma existência tão pobre de conteúdo como é rica em poluição da própria vida. O veneno de ter nascido, simplesmente, sem reticências ou oração composta. O veneno do nascimento. Mas cá estou. Atribuindo a esta dolorosa existência o doce sabor do prazer de esquentar meu corpo com o pensamento, atribuir a toda deformidade social um único toque mágico que me atribui a um consolo tão inevitável. Dormiria em teus braços, oh! Solidão, minha pequena e doce amada. Contribuindo para um fim eminente do qual sinto esvair toda minha masculinidade diante de um reflexo tão instintivo.
Aqui estou, idolatrando minha amada morte, sentindo finalmente os efeitos. Vejo o jato que corre, ele é belo, ele é vida.
Minha vida se manifestando e sendo expelida por meus pulsos. Sentindo toda aquela adrenalina subir em fervor para o cérebro. Todo o líquido vermelho, em jatos, sendo expelido por meus pulsos. Um leve movimento instintivo de sobreviver à vida. Era tudo que se precisava para mim. Bukowski estava certo sobre a bela mulher, estava completamente certo. E aqui estou eu, em mais uma tentativa de encontrá-la, mais uma tentativa de tocá-la e ter seus firmes seios em minhas mãos. Aqui estou indo de encontro a pequena luz que reflete na banheira já com a água escura com a minha vida inteira. Eu esperaria a minha vida inteira rolar em um filtro diante dos meus olhos, mas ela é bela de mais para pensar em outra coisa.