Sem cores
Que tenha sido por Wllan em 1/12/2010 0 comments
Sentado no quarto, esperando ela voltar. Olhei pra cima e vi aquele maldito teto de cor clara e que nunca me diziam nada. O ponteiro maior do relógio estava parado. O abajur remendado de uma vez que brigamos gritava silenciosamente para as paredes sem ouvidos. Conseguia ver o fogo se espalhar pela casa. Tudo virou cinzas. Silencioso e encarando o canto mais baixo da porta, a abri e olhei para fora. A paisagem é diferente, nada tem cor, os seres vivos sumiram. O preto e branco me faz lembrar dela, de quando ela me dizia o quanto cinza eu era, o quanto eu não estava ali. O portão verde parece cada dia mais longe. A vontade de sorrir e ser livre se afasta dos olhos sábios. Os dias são longos e o ano passa rápido. De que adianta meus malditos planos? Aqueles dias que fiquei até tarde tagarelando sobre nossos futuros filhos? De como eu ia trabalhar pouco e me dedicar a ela? Distraio minha mente com pornografia até o dia clarear, até o momento que fico com sono e vou dormir, porque se eu deitar antes... se eu deitar antes eu vou pensar e rolar e ficar frustrado. Acordo tarde, cansado e perdido sem ninguém do meu lado. A vaidade perdeu o sentido, minha barba mal feita e meu cabelo longo confirmam para os estranhos lá fora que eu não sou ninguém. As roupas pretas pedem para que eles não tentem se aproximar. E as marcas dizem para não perguntarem. Alguns dizem que eu preciso de ajuda, só isso. Eu precisava de ajuda. Eu não tenho mais a doença, agora sou a doença. A dor de cabeça está me matando e meu coração ameaça explodir algumas vezes. Um coma profundo, um estado vegetativo crítico, me perguntam como ainda me movo. Eu não me mexo mais. Agora eu tenho uma cicatriz. Uma grande cicatriz. E o mundo virou uma mancha cinza sem vida. Mas só eu vejo assim.
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